18 de março de 2026
Rueda dizia que ganharia bilhões para intermediar venda do Master
Autor: Daniel Menezes
Metrópoles - O presidente do União Brasil, Antônio Rueda, afirmou a mais de um interlocutor que ganharia bilhões com a concretização da venda do Banco Master ao BRB.
Daniel Vorcaro conheceu Rueda por intermédio de Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB.
À frente do União Brasil, terceiro maior partido político do país, Rueda está na mira do Palácio do Planalto e da Polícia Federal.
O presidente Lula já demonstrou publicamente que não gosta do dirigente por ele ter articulado a derrubada de seu padrinho político, deputado Luciano Bivar (PE).
Assim como Vorcaro, o enriquecimento repentino de Rueda e a ostentação com festas, mansões e bens de luxo chamam a atenção no meio político. Seu aniversário de 50 anos reuniu políticos, empresários e músicos famosos por quatro dias na ilha de Mykonos, na Grécia, em agosto do ano passado.
Mensagens reveladas por O Globo mostram que o então presidente do BRB relatou a Vorcaro um encontro com Rueda, transmitindo o recado de que o dirigente gostaria de se reunir com ele.
Paralelo à intermediação da venda do banco, Rueda operou para que dinheiro do Fundo de Previdência do Rio fosse aplicado no Master.
Rueda, Ciro e Alcolumbre – os alvos do governo
A coluna apurou que Lula foi estimulado a atacar Vorcaro e o caso Master após ouvir de petistas da Bahia que o partido não seria arrastado para o centro do escândalo.
Essa conversa assegurou que as investigações explodiriam Rueda, o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), e o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil) — uma trinca que daria suporte à eleição do opositor de Lula ao Planalto nas eleições deste ano. Juntos, União Brasil e PP concentram a maior força partidária do país.
Dos três, apenas Ciro Nogueira conseguiu sair da mira por suas ótimas relações com o comando do PT.
Em comum, Rueda, Ciro e Alcolumbre frequentavam as festinhas promovidas por Vorcaro. A cena de Alcolumbre dançando é narrada por 10 entre 10 políticos em Brasília.
A meia volta volver do governo
As investigações, contudo, avançaram a ponto de tragar o núcleo petista.
Como revelou o Metrópoles, o Master contratou Ricardo Lewandowski e Guido Mantega. Duas pessoas intimamente ligadas ao próprio Lula.
Ex-ministro do Supremo, Lewandowski permaneceu na folha de pagamento de Vorcaro mesmo enquanto ocupava o cargo de ministro da Justiça no governo Lula, com remuneração de R$ 250 mil mensais. Mantega, por sua vez, tinha contrato de R$ 1 milhão por mês. O pedido de emprego partiu do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).
O Metrópoles ainda revelou que a nora de Wagner estava na folha de pagamento do Master. Florista, ela recebia milhões por meio de uma empresa em nome dela, a BK Financeira. O contrato foi assinado no mesmo ano em que ela ingressou de sócia na firma, 2022.
Na conta do governo, entraram também as relações financeiras do ministro do Supremo Dias Toffoli com o Master.
Indicado por Lula, Toffoli tem a imagem associada ao PT, mostram pesquisas feitas pelo Planalto. A revelação de que o ministro recebeu milhões de Daniel Vorcaro, supostamente pela venda de cotas do resort Tayayá, mergulharam o governo na crise e impactaram a candidatura de Lula à reeleição. Quanto mais o ministro se afundar, mais ele arrasta o presidente para o centro do escândalo.
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