18 de março de 2026

Petróleo dispara no mundo todo; nos EUA diesel aumentou 37% em um mês

Autor: Daniel Menezes

A escalada do conflito envolvendo Irã, Israel e os Estados Unidos voltou a pressionar o mercado de energia, impulsionando os preços do petróleo e reacendendo preocupações com inflação e juros elevados no mundo.

O preço do petróleo chegou a cair quase 3% nesta quarta-feira (18), mas passou a subir na madrugada e agora está em alta de 3,15%, cotado a US$ 106,68 (R$ 554,66), às 9h40 (horário de Brasília), acumulando forte valorização desde o início da guerra, que já entra na terceira semana. No período, a commodity subiu mais de 40%.

Um dos principais fatores por trás da alta é a instabilidade no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo. A interrupção parcial do fluxo elevou as incertezas sobre oferta e logística de energia.

Com menos petróleo disponível no mercado — milhões de barris por dia foram impactados — aumentam os temores de repasse para combustíveis e fretes, pressionando cadeias produtivas no mundo todo.

Nos EUA, diesel teve alta de 37% em um mês

Os preços do diesel nos Estados Unidos dispararam nas últimas semanas, refletindo os impactos da guerra no Irã sobre o fornecimento global de energia. O combustível, essencial para transporte e atividades industriais, já se aproxima de US$ 5 por galão (cerca de R$ 26), pressionando custos em diversos setores da economia.

De acordo com o clube automobilístico AAA, o valor médio nas bombas chegou a US$ 4,99, o que representa uma alta de cerca de 37% em apenas um mês.

Esse é o nível mais elevado desde o período posterior à Invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022. Analistas avaliam que a escalada recente, intensificada após ataques dos EUA e de Israel ao Irã, não deve se reverter no curto prazo, mantendo a pressão sobre preços e cadeias produtivas.

Governo federal reduzir impostos do diesel para conter alta, mas estados resistem em colaborar

Na semana passada, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou um conjunto de medidas para reduzir o impacto do preço do combustível, em meio às consequências da guerra no Oriente Médio. Entre as ações, estão a zeragem de PIS/Cofins sobre o diesel, a criação de uma subvenção para baratear o valor nas bombas e mudanças na fiscalização dos preços.

A Secretaria Nacional do Consumidor do Ministério da Justiça e Segurança Pública (Senacon) reuniu nesta terça-feira (17) mais de 100 Procons estaduais e municipais para organizar a ampliação das ações de fiscalização do mercado de combustíveis. De acordo com a secretaria, a mobilização está focada na coleta de preços em postos de combustíveis para análise sobre possíveis valores abusivos.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o governo federal pretende apresentar uma proposta aos estados sobre o ICMS incidente sobre o diesel. A iniciativa será discutida em reunião com o Confaz, que reúne secretários estaduais de Fazenda, nesta quarta (18).

A movimentação ocorre após o presidente Lula pedir “boa vontade” dos governadores para reduzir o imposto, complementando a desoneração já feita pelo governo federal sobre PIS e Cofins. No entanto, os estados resistiram à ideia, alegando perda de arrecadação e afirmando que reduções tributárias nem sempre chegam ao consumidor final.

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