8 de março de 2026

O Brasil no Alvo: Uma Guerra que não usa Mísseis, mas a Reciclagem do Lixo Histórico

Autor: Daniel Menezes

Por Ricardo Valentim

Professor Associado da UFRN

 

Enquanto o mundo observa as tensões no Oriente Médio e se pergunta quando o Irã será submetido a mais uma ofensiva balística, o Brasil enfrenta uma guerra de outra natureza. Aqui, as bombas não caem do céu; elas brotam nas telas dos celulares e nas manchetes de parte da velha imprensa lavajatista, que insiste em manter vivo o método de governar pelo escândalo. Para tentar tomar um país como o Irã, são necessários mísseis; para tentar desestruturar o Brasil, bastam a desinformação e a fragmentação programada das suas instituições.

 

Não estamos inventando a roda, estamos apenas reciclando o lixo histórico. As narrativas atuais, que demonizam o servidor público e pintam o Judiciário como o "ralo do PIB", nada mais são do que balões de ensaio de uma mídia irresponsável. Esta atua para resgatar a velha estética da "Caça aos Marajás" da Era Collor para o consumo rápido e furioso das redes sociais — interesses nada republicanos que precisam criar palcos para narrativas falaciosas. Elege-se agora, em 2026, um vilão institucional para que grupos de interesses alheios à agenda de desenvolvimento nacional — e visceralmente vinculados a grandes interesses privados exógenos — possam operar nas sombras, sem serem questionados. É preciso criar um "clarão" de narrativas para mimetizar uma verdade que não existe.

 

Esta é uma guerra que exige um olhar "fora da caixa", pois o senso comum, hoje embriagado por uma desinformação metódica, não consegue enxergar que o ataque sistemático aos Poderes da República não é sobre "moralidade". É, em última análise, sobre remover os obstáculos jurídicos, investigativos e democráticos que impedem a cleptocracia de agir livremente. Cleptocracia, inclusive, que sempre esteve presente em parte da imprensa de nosso país — precisamos de história para lembrar qual imprensa brasileira elegeu e derrubou Collor, e qual imprensa alegou e "prendeu" Bolsonaro, o messias golpista. Talvez a mesma imprensa que estava alinhada ao golpe militar de 1964.

 

Vejamos a anatomia das falácias construídas agora mesmo: a quebra de sigilo do "Lulinha", explorada com o mesmo sensacionalismo da Lava Jato, tenta sugerir irregularidades milionárias, mas o que sobra após a devassa? Aparentemente, nada de errado em suas movimentações financeiras — o objetivo do vazamento não é investigar para combater a corrupção, mas criar narrativas. Da mesma forma, tenta-se criar uma nuvem de suspeição sobre um Ministro do STF. Um "Alexandre" foi citado em conversas com um banqueiro. Ora, quantos "Alexandres" existem no Brasil? O objetivo nunca foi a verdade, mas a associação forçada: joga-se um nome no ventilador para gerar a mancha e, mesmo quando a perícia técnica demonstra que as supostas mensagens não têm plausibilidade, o estrago reputacional já serviu ao seu propósito de deslegitimação.

 

Nesta vala dos supostos "privilégios", tenta-se imputar a todos os brasileiros a ideia de que somos todos corruptos — mesmo quando somos um país de trabalhadores honestos. São métodos testados para inverter o ônus da prova e destruir a segurança jurídica sob o manto de um falso moralismo. Privilégios, corrupção e segurança pública tornam-se os pilares das narrativas das emoções — neste lugar, os fatos reais não interessam. É uma lição cruel da política moderna que permeia o cenário global: não se ganha eleição ou se derruba instituições com uma economia sólida e consistente, especialmente quando o desemprego está baixo, por exemplo; ganha-se sequestrando as emoções das massas. Estamos mergulhados em uma espécie de "Fla-Flu" político, onde a torcida cega substitui os interesses da nação e de seu povo, e estamos sendo levados ao limite da sobrevivência democrática.

 

Os arquitetos do caos não querem discutir projetos de país; querem mexer com as entranhas da população — onde as emoções valem mais do que os fatos — por meio do "Padrão Steve Bannon" de atacar democracias. Esse método troca o projeto de nação pelo pânico moral e pela raiva constante; é preciso alimentar o ódio, pois a instabilidade é necessária para que os maus intencionados possam sobreviver. Pintar os juízes e agentes públicos como os vilões do orçamento é o eco de um passado que já custou caro demais para o Brasil.

 

Em 2026, essa "Caça aos Marajás" 2.0 foi reembalada, fragmentada em pílulas de ódio e disparada para o consumo rápido no WhatsApp. O objetivo é claro: criar uma cortina de fumaça moralista para esconder a ausência de um projeto de nação — transformaram a moralidade em estética subjetiva para sobrescrever a lei. Enquanto o cidadão comum se indigna com o funcionário do balcão, as estruturas de poder que realmente manipulam a economia brasileira permanecem intocadas, rindo da nossa capacidade de cair, repetidamente, no mesmo truque de mestre.

 

Vimos como o Brasil tem flertado com o Lawfare, onde o apedrejamento midiático serve a agendas particulares. Figuras políticas dotadas de baixa capacidade cognitiva, mas com alta perspicácia para a cleptomania, tornam-se os "idiotas úteis" de um tabuleiro geopolítico onde o Brasil é um player estratégico e importante demais para ser deixado em paz. Quando líderes estrangeiros e o sistema financeiro internacional atacam as instituições brasileiras, eles não estão defendendo a liberdade e a democracia; estão atacando a nossa soberania.

 

Nossos Poderes e nossos agentes públicos precisam ser preservados de ataques que visam o desmonte do Estado. Se as instituições estiverem em frangalhos, quem ganha? Certamente não o povo brasileiro. O Brasil precisa estar atento: em 2026, a nossa defesa não se faz com artilharia pesada, mas com a capacidade crítica de não sucumbir às falácias. Um país que desonra suas próprias instituições é um país que já entregou as chaves do seu futuro sem que um único míssil precisasse ser disparado.