5 de março de 2026

Apoiador de Allyson Bezerra, José Agripino defende “remédio amargo” para o RN

Autor: Daniel Menezes

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Por Alisson Almeida

O ex-senador José Agripino, presidente estadual do União Brasil, defendeu que o próximo governador precisa adotar medidas duras para enfrentar o que classificou como “estado de insolvência” do Rio Grande do Norte. Em entrevista à Rádio Mix Natal, na última segunda-feira (2), ele disse que será necessário aplicar um “remédio amargo” para tentar reequilibrar as contas públicas.

De acordo com Agripino, o cenário financeiro exigirá decisões impopulares para tentar recuperar a capacidade de investimento do Governo do Estado. A declaração foi dada em meio ao debate sobre uma possível transição antecipada no comando do Poder Executivo, em razão da anunciada desincompatibilização da governadora Fátima Bezerra (PT), no início de abril, para disputar o Senado Federal.

 

José Agripino é um dos principais articuladores da pré-candidatura a governador do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, seu correligionário de União Brasil, que foi alvo recentemente de busca e apreensão na “Operação Mederi”, deflagrada no final de janeiro pela Polícia Federal (PF) e pal Controladoria-Geral da União (CGU).

Eleição indireta

O debate sobre os rumos da administração estadual ganhou força diante da possibilidade de ocorrer uma eleição indireta para governador. O cenário se concretizaria caso Fátima Bezerra renuncie ao cargo para concorrer ao Senado e o vice-governador Walter Alves (MDB) mantenha a decisão já anunciada de não assumir o Executivo do RN.

Nesse caso, ficaria configurada a chamada dupla vacância do cargo de governador, o que levaria à realização de uma eleição indireta pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte (ALRN).

Os 24 deputados estaduais ficariam incumbidos de escolher, através de voto aberto, um governador e um vice para concluir o mandato até 5 de janeiro de 2027.

Agripino destacou que, no atual cenário, nenhum grupo político possui maioria para definir sozinho o resultado da eleição indireta. Ele analisou que os parlamentares estariam divididos em três blocos principais: o primeiro liderado pelo PT, o segundo pelo PL e o terceiro pela Federação União Progressista, formada pelo União Brasil e pelo PP.

O bloco do PT, liderado pela governadora Fátima Bezerra, defende a pré-candidatura do secretário estadual da Fazenda Cadu Xavier. O do PL apoia a pré-candidatura do ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (Republicanos), enquanto o do PP e do União Brasil tem como pré-candidato o prefeito mossoroense Allyson Bezerra.

De acordo com o ex-senador, nenhum desses blocos teria os 13 votos necessários para eleger o governador interino, o que tornaria inevitável algum tipo de negociação política entre as bancadas.

Federação União Progressista não pretende disputar eleição indireta

Na entrevista, Agripino afirmou que a Federação União Progressista não pretende lançar candidato para o eventual mandato-tampão.

Ele mencionou dois caminhos possíveis para a escolha do governador interino caso a eleição indireta se confirme. Um deles seria permitir que o PT conclua o mandato iniciado em 2019, elegendo um nome ligado ao partido para esse período de transição à frente do Governo do Estado

A outra possibilidade, segundo ele, seria a construção de um consenso na Assembleia Legislativa em torno de um nome que conduzisse a transição administrativa até a posse do governador eleito em 2026.

Ele voltou a falar em “remédio amargo” ao defender que, caso se chegue a esse consenso, o nome escolhido para fazer a “transição” deve começar “a aplicar as medidas necessárias, preparando o caminho que o próximo governador eleito terá que seguir para manter o estado de pé”.

“Idealmente, seria alguém sem conotação político-partidária forte, disposto a começar a aplicar os remédios amargos necessários para recuperar as finanças do Rio Grande do Norte”, declarou.

PT articula candidatura para o mandato-tampão

Enquanto setores da oposição discutem cenários possíveis para a eleição indireta, o grupo governista já indicou que disputará o mandato-tampão no RN.

O PT afirmou que “não abre mão” de terminar o mandato da governadora Fátima Bezerra. O partido confirmou o nome do secretário Cadu Xavier como pré-candidato ao mandato-tampão. Ele também é o pré-candidato do partido para a eleição regular de outubro.

O objetivo é garantir que a legenda mantenha o controle do Governo do Estado até o final do ciclo iniciado com a eleição da governadora Fátima Bezerra.

A própria governadora tem participado das articulações políticas para viabilizar a candidatura. A meta é reunir os 13 votos necessários entre os 24 deputados estaduais para, uma vez confirmado o cenário de dupla vacância, vencer a eleição indireta na ALRN.

A definição, no entanto, depende de uma série de decisões políticas que ainda não foram tomadas — a começar pela confirmação da renúncia da governadora e da decisão do vice-governador de não assumir o cargo.

Até lá, o debate sobre o futuro do comandado do Governo do Estado, seja para um mandato interino ou o próximo governador eleito, segue sendo pautado pelas especulações e movimentações de bastidores da política do Rio Grande do Norte.

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