5 de março de 2026

1ª Turma do STF forma maioria para manter Bolsonaro na Papudinha

Autor: Daniel Menezes

A 1ª Turma do STF formou maioria nesta quinta-feira (5) em favor da decisão do ministro Alexandre de Moraes, que na segunda-feira (2) rejeitou um pedido da defesa de Jair Bolsonaro para que fosse realizada sua transferência à prisão domiciliar humanitária. Acompanharam o relator o ministro Cristiano Zanin e o presidente da Turma, Flávio Dino. Se mantido o entendimento, o ex-presidente seguirá preso no quartel do 19ª Batalhão da PMDF, conhecido como Papudinha.

O pedido de transferência foi encaminhado na primeira quinzena de janeiro. A defesa argumentou que a concessão de prisão domiciliar seria a "única forma juridicamente adequada de compatibilizar a execução da pena com a preservação mínima da saúde e da vida do apenado".

Bolsonaro está em custódia na Papudinha desde janeiro, em cela adaptada para atendimento de suas necessidades médicas.

Bolsonaro está em custódia na Papudinha desde janeiro, em cela adaptada para atendimento de suas necessidades médicas.Gabriela Biló/Folhapress

 

Moraes deu resposta negativa, acatando parecer da Procuradoria-Geral da República. O ministro ressaltou que a própria perícia médica realizada pela Polícia Federal indicou que não havia necessidade de transferência de regime, contanto que fosse mantida a rotina de atendimento médico e a oferta de cela adaptada para as necessidades clínicas do ex-presidente.

Em seu voto, Moraes retomou esse entendimento, indicando que todos os relatórios técnicos demonstram a "total adequação do ambiente prisional às necessidades médicas do apenado, com absoluto respeito à sua saúde e à dignidade da pessoa humana".

O ministro ainda relembrou que Bolsonaro possui um longo histórico de "reiterados descumprimentos das medidas cautelares durante toda a ação penal", incluindo uma tentativa de fuga do regime domiciliar ao qual estava submetido até novembro de 2025; "demonstrando sua inutilidade [da transferência] e a necessidade da manutenção do cumprimento da pena privativa de liberdade em regime fechado".

O julgamento acontece no Plenário Virtual, e seguirá aberto até as 23h59 de hoje. Resta apenas o voto da ministra Cármen Lúcia.

Veja a íntegra do voto de Moraes.

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