2 de março de 2026
PARA CADU, ALLYSON E ÁLVARO - Falar em ajuste fiscal sem tocar nos poderes é coragem seletiva no RN
Autor: Daniel Menezes
O debate sobre o ajuste fiscal no Rio Grande do Norte começa a ganhar forma para 2027, e três nomes postos no tabuleiro — Cadu Xavier, Allyson Bezerra e Álvaro Dias — convergem em um ponto: é preciso reorganizar as contas públicas. Cada um com sua narrativa, cada um com seu diagnóstico, mas todos com foco quase exclusivo na folha do Executivo. O discurso gira em torno de despesas com servidores, crescimento da máquina, limites da Lei de Responsabilidade Fiscal. A pergunta que permanece no ar é simples e incômoda: o ajuste será apenas sobre quem está sob controle direto do governador?
Quando se fala em equilíbrio fiscal, é inevitável discutir os duodécimos repassados aos demais poderes — Assembleia Legislativa, Ministério Público, Tribunal de Justiça, Tribunal de Contas e Defensoria Pública. O orçamento estadual não é feito apenas de folha do Executivo. Recentemente, o próprio Judiciário potiguar esteve no centro de reportagens nacionais por contracheques que ultrapassaram os R$ 300 mil mensais. Enquanto isso, professores da rede pública lutam para garantir remuneração em torno de R$ 5 mil. A disparidade não é apenas contábil; é simbólica. Some-se a isso despesas elevadas com estrutura, benefícios e até veículos blindados, e o debate sobre justiça fiscal se torna inevitável.
Se o ajuste prometido para 2027 não incluir uma discussão franca sobre os repasses constitucionais e o tamanho real do custo dos demais poderes, estaremos diante de um ajuste incompleto — ou, pior, seletivo. A coragem política não pode existir apenas para enfrentar servidores do Executivo, mas silenciar diante de estruturas historicamente blindadas por influência institucional. A sociedade potiguar precisa saber: haverá disposição real para discutir o conjunto do orçamento ou o discurso fiscal continuará restrito a um único lado da balança?
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