23 de fevereiro de 2026

"Gilmarlândia": MT poderá ter cidade em homenagem a Gilmar Mendes

Autor: Daniel Menezes

congresso em foco - O ministro Gilmar Mendes, do STF, participou no último sábado (21) da cerimônia de lançamento da pedra fundamental da futura cidade de Nova Aliança do Norte. O projeto, patrocinado por empresários do agronegócio e apoiado por lideranças políticas do Estado, ganhou o apelido de "Gilmarlândia", em homenagem ao magistrado.

A iniciativa é liderada pelo empresário Eraí Maggi, ligado ao setor agropecuário, e prevê a construção de dois distritos às margens da MT-249, na região Médio-Norte de Mato Grosso. A área fica entre os municípios de São José do Rio Claro e Diamantino, cidade natal de Gilmar Mendes. A proposta busca estruturar um núcleo urbano para ofertar serviços à população local, que enfrenta carência de infraestrutura.

Cidade será construída nos limites de Diamantino, terra natal de Gilmar Mendes.

Cidade será construída nos limites de Diamantino, terra natal de Gilmar Mendes.Tânia Rêgo/Agência Brasil

 

Durante a cerimônia, Gilmar Mendes elogiou o projeto. "Eu acho importante essa iniciativa de se ter um núcleo de apoio para as famílias e pessoas que trabalham nessa região. Já temos a experiência da Deciolândia e agora temos esse projeto que há muito era sonhado, e acho que agora começa a ter desdobramento", afirmou. Deciolândia é outro distrito planejado voltado à prestação de serviços à população rural de Diamantino.

O ministro destacou que empreendimentos desse tipo costumam levar anos até se consolidarem e exigem "um esforço bastante grande de todas as pessoas e todas as instituições". Segundo ele, a iniciativa pode viabilizar novas escolas, espaços de lazer e unidades de atendimento médico para os trabalhadores da região.

 

 

 

Vácuo jurídico

A criação de municípios no Brasil enfrenta hoje um impasse jurídico. A Constituição atribui aos Estados a competência para instituir novos municípios, mas condiciona essa possibilidade à edição de uma lei complementar federal que estabeleça os critérios para sua criação. Essa norma ainda não foi aprovada.

Em 2007, o STF reconheceu que o Congresso Nacional estava em mora quanto à regulamentação do tema. Desde então, a matéria voltou a ser debatida no Legislativo diversas vezes, sem consenso. Em 2021, o governo do Pará acionou novamente a Corte pedindo novo reconhecimento de omissão, mas o pedido foi rejeitado sob o entendimento de que havia esforço efetivo das duas Casas para enfrentar a questão.

A proposta mais avançada é a PEC 93/2007, que tramita na Comissão de Constituição e Justiça sob relatoria de Ricardo Ayres (Republicanos-TO). O texto reafirma a competência dos Estados para criar municípios, desde que haja plebiscito nas áreas envolvidas e divulgação de estudos de viabilidade. Também proíbe a criação de novos municípios no período inferior a um ano antes das eleições municipais.

Ricardo Ayres defendeu que o debate é necessário para promover justiça territorial. "Muitos distritos cresceram em população, arrecadação e estrutura, mas continuam dependentes de municípios que não acompanham esse desenvolvimento", afirmou.

Sua última versão do parecer foi apresentada no mês de julho. Se a proposta for aprovada na CCJ, será criada uma comissão especial para analisar o mérito da PEC.

Veja a íntegra do parecer.

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