23 de fevereiro de 2026

Após sete anos, 1ª Turma do STF inicia julgamento do Caso Marielle

Autor: Daniel Menezes

Congresso em Foco - A 1ª Turma do STF inicia nesta terça-feira (24) o julgamento dos acusados de planejar o assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, mortos a tiros em março de 2018, no Rio de Janeiro (RJ). A ação possui quatro réus acusados por duplo homicídio qualificado e pela tentativa de homicídio da assessora Fernanda Chaves.

Na acusação principal, figuram o conselheiro do Tribunal de Contas (TCE) do Rio de Janeiro Domingos Brazão; o ex-deputado federal João Francisco Brazão, conhecido como Chiquinho Brazão; o delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro Rivaldo Barbosa; e o ex-policial militar Ronald Paulo de Alves.

Além deles o ex-assessor TCE Robson Calixto Fonseca, conhecido como "Peixe", é réu por crime de organização criminosa. Domingos e Chiquinho, os irmãos Brazão, também respondem pelo crime.

No STF, o caso está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. A ação é analisada pela Corte devido ao envolvido de Chiquinho Brazão, à época do crime, munido de prerrogativas parlamentares.

Vereadora do RJ foi assassinada em 14 de março de 2018.

Vereadora do RJ foi assassinada em 14 de março de 2018.Reprodução

 

Cronograma

Até agora, a 1ª Turma tem três sessões agendadas para o julgamento. Na terça-feira (24), serão dois momentos: com início às 9h e novamente às 14h. Na manhã de quarta-feira (25), o colegiado volta a se reunir a partir das 9h.

Conforme o rito estabelecido no Regimento Interno do STF, após a abertura da sessão Moraes fará a leitura de seu relatório. Em seguida, terá início a fase de sustentações orais.

O vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand, terá uma hora para representar a Procuradoria-Geral da República (PGR) na acusação dos réus. O advogado assistente de acusação, indicado por vítima sobrevivente, também pode se manifestar.

Após a acusação, falam os advogados das defesas. Cada réu pode ser representado em manifestação de até uma hora. Todas as sustentações podem ser prorrogadas por mais 30 minutos.

Concluídas as sustentações, o relator será o primeiro a votar. Em sequência, votarão o ministro Cristiano Zanin, a ministra Cármen Lúcia e, por fim, o ministro Flávio Dino.

A decisão pela absolvição ou condenação será tomada por maioria de votos. Em caso de condenação, o colegiado passa a discutir a pena a ser aplicada.

Assassinato

Marielle Franco e Anderson Gomes foram assassinatos a tiros em 14 de março de 2018, na região central da capital carioca. As investigações, inicialmente conduzidas pela Polícia Civil, passaram para a jurisdição da Polícia Federal em 2023, após determinação do Ministério da Justiça.

O executor do crime, Ronnie Lessa, foi condenado pelo 4º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro a 78 anos e nove meses de prisão em outubro de 2024. No mesmo julgamento, Élcio Queiroz, motorista do veículo utilizado pelos criminosos para interceptar a vereadora, foi condenado a 59 anos e oito meses de prisão.

Em junho do mesmo ano, a 1ª Turma já havia acolhido a denúncia apresentada pela PGR em que apontava os irmãos Brazão como mandantes do crime. A principal motivação, segundo o inquérito, era a atuação política de Marielle, que trabalhava em oposição à regularização do uso e da ocupação de áreas comandadas por milícias na Câmara Legislativa do Estado.

A PGR identificou Rivaldo Barbosa como auxiliar dos irmãos. Barbosa teria, conforme apontou a procuradoria, utilizado sua posição de comando na Polícia Civil para dificultar as investigações da força de segurança.

Ronald Paulo de Alves, conhecido como Major Ronald, é acusado de monitorar Marielle a fim de fornecer informações usadas pelos executores para o crime. Embora não seja apontado por participação no assassinato, a PGR acusa Robson Calixto Fonseca de participar da organização criminosa que motivou o episódio.

A ação foi iniciada a partir do acordo de colaboração premiada de Ronnie Lessa.

Ação Penal: 2.434

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