22 de fevereiro de 2026
'Não sou o carnavalesco', diz Lula sobre críticas ao desfile da Acadêmicos de Niterói que o homenageou
Autor: Daniel Menezes
G1 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste domingo (22) que não cabe a ele "dar palpite" sobre como foi realizado o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói que contava com um enredo em sua homenagem.
Perguntado sobre o que pensava a respeito da resposta dos evangélicos a uma ala de fantasias chamada de "neoconservadores em conserva", Lula respondeu:
"Eu não penso. Porque primeiro eu não sou o carnavalesco, eu não fiz o samba-enredo, eu não cuidei dos carros alegóricos. Eu apenas sou homenageado em uma música maravilhosa", afirmou.
Ainda sobre o desfile, o presidente disse acreditar que a homenagem foi feita mais para a sua mãe, Dona Lindu, do que a ele.
"É uma pena que a minha mãe já tivesse morrido e não ouvisse a música. A música é, na verdade, uma homenagem à minha mãe. É a saga dela de trazer a gente para São Paulo", disse.
Por fim, Lula afirmou ter gratidão à agremiação pela homenagem e se confundiu ao dizer que visitaria a escola. O petista afirmou que iria pessoalmente agradecer a Acadêmicos de Niterói quando voltasse a São Paulo, mas a agremiação fica na cidade de Niterói, no estado do Rio de Janeiro.
"Quando eu voltar a São Paulo, e para o Brasil, vou visitar a escola para agradecer a homenagem que eles prestaram a saga da Dona Lindu", disse.
No desfile da última semana, a Acadêmicos de Niterói contou a história do presidente Lula desde a infância no Nordeste, passando pela migração com a família para São Paulo, o trabalho como torneiro mecânico e a liderança sindical, até a Presidência da República.
A escola ficou em último lugar e foi rebaixada do Grupo Especial do carnaval do Rio de Janeiro na apuração de quarta-feira (18). A escola fazia sua estreia na elite das agremiações neste ano. Ao longo da apuração, ela recebeu apenas duas notas 10.
Representações no TSE
O Partido Liberal (PL) e o partido Missão enviaram novas representações ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra Lula por conta do enredo da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que prestou uma homenagem ao petista no Carnaval deste ano.
Ao todo, foram quatro representações enviadas à Corte Eleitoral sobre o tema. Duas antes do desfile (de autoria do partido Novo e do Missão), e outras duas após o evento.
No entanto, pelo menos 10 ações foram protocoladas em diferentes esferas judiciais com conteúdo semelhante.
Em 12 de fevereiro, o TSE rejeitou as duas primeiras liminares considerando que não era possível deferir o pedido antes dos fatos acontecerem. Mas, ponderou que isso não significa que, no futuro, a Corte não possa analisar a conduta dos citados.
Ainda não há um prazo para julgamento das duas novas representações, enviadas após o desfile.
🔎Esses pedidos não têm relação com a denúncia protocolada pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF) no início deste mês no Ministério Público Eleitoral (MPE) sobre o assunto. Nesse caso, não há prazo para a análise.
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Lula na Marquês de Sapucaí, no Rio. — Foto: Ricardo Stuckert
O que dizem os partidos
O partido Missão formalizou uma nova representação no TSE contra Lula, PT e Acadêmicos de Niterói, após ter o primeiro pedido de liminar rejeitado.
Neste recurso, volta a defender que o samba-enredo escolhido pela agremiação configura propaganda eleitoral antecipada, e pede aplicação de multa e a proibição de utilização das imagens do desfile nas redes sociais e nas pré-campanhas e campanhas do PT e do presidente Lula.
O PL, por sua vez, enviou na noite dessa quinta-feira (19) um pedido de antecipação de provas que pode servir para uma ação futura, no qual aponta suspeita de abuso de poder político e econômico e pede uma lista de dados sobre o desfile.
Entre eles, esclarecimentos sobre recursos financeiros destinados para o desfile, gastos com hospedagem e deslocamento de autoridades convidadas para o camarote da prefeitura e tempo de exibição das imagens do desfile na TV aberta.
O partido alega que "uma suposta homenagem a um mandatário em exercício, cuja história de vida seria alegadamente narrada pelos olhos de sua mãe, falecida ainda na década de 80, converteu-se em incontestável peça política de promoção e exaltação pessoal da figura de um pré-candidato", diz o texto.
A representação acrescenta ainda que o enredo incluiu, "anomalamente, desconstrução da imagem política de seus opositores, com desvirtuação do próprio pré-anunciado objeto do desfile (narrar a história de vida de uma dada pessoa)".
"Diante da relevância do tema, sobretudo considerando as eleições presidenciais que se avizinham, há relevantes e fundados indícios de abuso de poder político e econômico para futuro ajuizamento de Ação de Investigação Judicial Eleitoral", diz o documento.
A petição foi protocolada nesta quinta-feira (19) e é endereçada ao ministro corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Antônio Carlos Ferreira.
Ações contra o enredo
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Luiz Inácio Lula da Silva gesticula durante uma coletiva de imprensa em Nova Delhi, Índia — Foto: REUTERS/Adnan Abidi
O enredo da Acadêmicos de Niterói foi alvo de pelo menos dez ações judiciais e representações no Ministério Público e no TCU que tentaram impedir o desfile ou suspender e reverter repasses de recursos públicos.
As iniciativas alegavam que trechos do samba e da apresentação configurariam propaganda eleitoral antecipada do presidente Lula – a Lei Eleitoral só permite propaganda após 16 de agosto.
Também houve pedidos para barrar a presença do presidente na Marquês de Sapucaí e para restringir manifestações consideradas ataques a adversários.
O caso chegou ao plenário do TSE, que, por unanimidade, negou liminar para proibir o desfile, sob o argumento de que a intervenção poderia caracterizar censura prévia. Ministros, porém, alertaram que eventuais condutas na Avenida poderiam ser analisadas posteriormente e resultar em punições.
Após o julgamento, o PT orientou integrantes a evitar atos que pudessem ser interpretados como propaganda antecipada.
O governo federal negou irregularidades, afirmou que não participou da escolha do enredo e sustentou que o apoio financeiro às escolas – outro ponto questionado pela oposição – é recorrente.
Depois do desfile, Lula elogiou a apresentação nas redes sociais. A oposição reagiu, com críticas e anúncios de novas medidas judiciais, novamente alegando promoção eleitoral antecipada e uso indevido de recursos públicos.
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