21 de fevereiro de 2026

Troca de tiros envolvendo policial pré-candidato deveria servir de reflexão sobre uso político da segurança pública

Autor: Daniel Menezes

A recente repercussão de um pré-candidato a deputado federal Coronel Brilhante (PL) entrando em uma troca de tiros com criminosos no interior do Rio Grande do Norte, episódio que circulou por seu incentivo em vídeo e relatos nas redes sociais após o incidente em Caraúbas,  deveria acender um debate mais profundo sobre como membros de corporações policiais que ingressam na política devem agir, especialmente durante a pré-campanha eleitoral. Segundo a reportagem da 98fm, após uma gravação de podcast, o candidato foi surpreendido com disparos de assaltantes em uma estrada e, ao reagir, efetivou tiros em retorno, sem vítimas; posteriormente, policiais militares foram acionados e os suspeitos fugiram. Coincidência ou não, tudo foi gravado.

É totalmente compreensível que qualquer cidadão reaja diante de um ataque armado. O problema é quando esse tipo de reação ocorre sob os holofotes, potencialmente transformado em conteúdo político ou de campanha, misturando segurança pública com promoção pessoal. No Rio Grande do Norte, onde a violência é assunto permanente no cotidiano da população, a imagem de um agente ou ex-agente da lei em confronto armado pode ressoar como espetáculo midiático ou promessa de força, mais do que servir a um debate sério sobre segurança. Isso levanta a necessidade urgente de a corporação normativa do estado — no caso, a Polícia Militar e demais instituições de segurança pública estaduais — estabelecer diretrizes claras sobre como seus integrantes devem se comportar quando ingressam em trajetórias eleitorais ou se expõem politicamente.

Sem essas regras bem definidas, existe o risco de operações ou situações de segurança serem percebidas — ou até usadas — como instrumento de propaganda eleitoral, algo que fragiliza tanto a confiança da população nas instituições quanto o princípio de que a segurança pública é um serviço civil e neutro, não um ativo de campanha. A corporação precisa normatizar a participação de seus membros em atos que envolvam uso de força, especialmente quando esses membros também figuram como atores políticos, garantindo que sua atuação preserve a segurança da sociedade e a legitimidade das instituições, sem confundir o combate ao crime com estratégias de marketing político.

PS. Não estou dizendo que foi o caso na situação relatada, mas há ações em outros estados do Brasil de policiais encenando operações policiais para utilizar o conteúdo em suas campanhas eleitorais, sendo o delegado Da Cunha o mais conhecido.

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