21 de fevereiro de 2026

A leitura nacional do lulismo, a local e a reeleição de Zenaide

Autor: Daniel Menezes

Nos bastidores de Brasília, a leitura do campo da esquerda sobre o Rio Grande do Norte pode ser diferente daquela que predomina entre lideranças locais. A prioridade central do campo ligado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva é preservar e ampliar a hegemonia no Senado Federal e isso não significa, necessariamente, eleger apenas nomes filiados ao PT, mas assegurar cadeiras ocupadas por aliados consistentes do projeto nacional. Essa estratégia, inclusive, já foi tema de análises na imprensa nacional, que destacam o movimento do PT de trabalhar para formar a maior bancada possível, ainda que parte dela seja composta por senadores de partidos parceiros, alinhados politicamente ao Palácio do Planalto.

Nesse tabuleiro, a senadora Zenaide Maia é vista como peça estratégica. Aliada histórica de Lula, vice-líder do governo e relatora de projetos relevantes, ela é tratada como integrante da base que precisa ser reconduzida para manter o equilíbrio de forças em Brasília. O cenário potiguar, no entanto, é atravessado por disputas locais, especialmente a polarização entre Cadu Xavier e Allyson Bezerra, o que acaba influenciando a leitura regional sobre alianças e movimentos. Como Zenaide se aproximou de Allyson, parte do campo progressista no estado tende a interpretar o gesto sob a lógica da rivalidade interna. Para o lulismo nacional, porém, o cálculo é mais pragmático: garantir um Senado majoritariamente alinhado é estratégico, ainda que por meio de composições amplas. Essa diferença de perspectiva pode pesar na definição das alianças e no desenho da disputa ao Senado no RN: um debate que vai muito além das fronteiras estaduais e se conecta diretamente ao projeto de poder em Brasília.

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