20 de fevereiro de 2026

Dólar fecha em R$ 5,17 e tem menor patamar em mais de 20 meses após derrubada do tarifaço; Ibovespa bate os 190 mil pontos

Autor: Daniel Menezes

G1 - O dólar encerrou a sessão desta sexta-feira (20) em queda de 0,98%, cotado a R$ 5,1758, no menor patamar desde maio de 2024. O Ibovespa, por sua vez, tinha uma forte alta na sessão, aos 190 mil pontos, e caminhava para um novo recorde de fechamento.

 

▶️ O principal fator que mexeu com os mercados globais nesta sexta-feira (20) foi a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de derrubar as tarifas de importação impostas pelo presidente americanoDonald Trump. O tribunal decidiu que o republicano extrapolou sua autoridade ao impor o aumento das taxas e considerou o tarifaço ilegal.

 

▶️ Em resposta, Trump afirmou que há "métodos ainda mais fortes" à sua disposição para impor novas tarifas comerciais, reforçando que "outras saídas são usadas". O republicano, então, recorreu à Seção 122 — dispositivo da legislação comercial dos EUA que permite ao presidente impor tarifas temporárias — para estabelecer uma nova tarifa global de 10%.

▶️ Outro fator que pressionou o dólar para baixo foi o fraco desempenho da economia americana no 4º trimestre de 2025. Segundo informações do Departamento de Comércio, o PIB dos EUA desacelerou para 1,4% no período — bem abaixo da projeção do mercado, de 3%. No trimestre anterior, a atividade do país tinha avançado 4,4%.

▶️ Na agenda econômica americana, o mercado também monitorou a divulgação do índice de preços de gastos com consumo (PCE), que é um dos preferidos do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) para acompanhar a inflação do país. O indicador registrou um avanço de 0,4% em dezembro, após um avanço revisado de 0,2% no mês anterior. Em 12 meses, a alta foi de 2,9%, contra 2,8% em novembro.

▶️ Ainda no cenário internacional, o petróleo continuou no centro das atenções após a recente alta de preços, em meio às tensões entre EUA e Irã. A preocupação é que o conflito se intensifique e afete o Estreito de Ormuz, rota por onde passa uma parcela relevante do comércio mundial de petróleo.

 

▶️No Brasil, a agenda é mais enxuta, com destaque para a divulgação da taxa de desemprego do quarto trimestre pela Pnad Contínua. Segundo o IBGEo desemprego recuou em seis estados no quarto trimestre de 2025. Nas demais unidades da federação, o indicador permaneceu estável.

Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.

 

💲Dólar

 

 

 

  • Acumulado da semana: -1,02%;
  • Acumulado do mês: -1,37%;
  • Acumulado do ano: -5,70%.

 

 

📈Ibovespa

 

 

 

 

  • Acumulado da semana: +1,11%;
  • Acumulado do mês: +3,95%;
  • Acumulado do ano: +17,01%.

 

 

Suprema Corte dos EUA derruba tarifaço

 

A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu, nesta sexta-feira (20), que o presidente Donald Trump extrapolou sua autoridade ao impor um amplo aumento de tarifas sobre importações de quase todos os parceiros comerciais dos EUA, conhecido como "tarifaço".

Por 6 votos a 3, a maioria dos juízes concluiu que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) não permite ao presidente criar tarifas por conta própria. Trump argumentava que a lei de 1977 autoriza o presidente a adotar esse tipo de medida em situações excepcionais.

O presidente da Corte, John Roberts, foi o relator da decisão e liderou a maioria. Os juízes Clarence Thomas, Samuel Alito e Brett Kavanaugh foram os votos vencidos.

Roberts afirmou que Trump precisa de uma “autorização clara do Congresso” para justificar o tarifaço, citando precedente da própria Suprema Corte.

A decisão atinge principalmente as chamadas tarifas recíprocas, que representam o núcleo da estratégia tarifária do governo. Outras tarifas em vigor, como as aplicadas sobre aço, alumínio e fentanil, continuam valendo.

 

Resposta de Trump

 

Em resposta, o presidente americano criticou a decisão da Suprema Corte e anunciou uma nova taxa global de 10%.

 

 

Em declaração a jornalistas, Trump afirmou que há "métodos ainda mais fortes" à sua disposição para impor novas tarifas comerciais. "Outras saídas serão usadas", disse, acrescentando que os EUA podem arrecadar "ainda mais dinheiro".

 

Para estabelecer a nova tarifa, Trump disse que vai ativar a Seção 122 — dispositivo da legislação comercial dos EUA que permite ao presidente impor tarifas temporárias. O republicano ainda reiterou que sua gestão também vai recorrer à Seção 301 para abrir investigações sobre práticas comerciais desleais, o que pode resultar em tarifas adicionais.

Além da nova ofensiva comercial, Trump usou a entrevista coletiva para disparar contra os juízes do tribunal e classificar a decisão da Corte como "vergonhosa" e "terrível".

 

"Os juízes que votaram contra as tarifas são uma vergonha para a nossa nação. Nossa Suprema Corte está sendo pressionada por interesses estrangeiros", afirmou o republicano.

 

Agenda econômica

 

 

  • PIB dos EUA

 

Segundo a estimativa preliminar divulgada pelo Departamento de Comércio dos EUA, o Produto Interno Bruto (PIB) avançou a uma taxa anualizada de 1,4% no quarto trimestre de 2025. A expectativa do mercado era de crescimento de 3%, mas a projeção foi feita antes de dados que mostraram um aumento do déficit comercial em dezembro.

 

No trimestre anterior, a economia havia crescido a um ritmo de 4,4%. O Escritório Orçamentário do Congresso estimou que a paralisação do governo reduziu o crescimento do PIB em até 1,5 ponto percentual no último trimestre, ao limitar serviços públicos, gastos federais e benefícios sociais.

Parte dessa perda tende a ser recuperada, mas entre US$ 7 bilhões e US$ 14 bilhões podem não retornar à economia.

Antes da divulgação do relatório, o presidente Donald Trump afirmou nas redes sociais que a paralisação teria custado “pelo menos dois pontos do PIB” e defendeu juros mais baixos para estimular a economia.

O relatório também apontou um crescimento sem forte geração de empregos e uma economia com desempenho desigual: famílias de renda mais alta continuam em situação confortável, enquanto consumidores de renda mais baixa enfrentam dificuldades com inflação elevada e salários estagnados.

Economistas classificam esse cenário como uma “crise de acessibilidade”.

 

  • PCE dos EUA

 

O núcleo da inflação nos EUA acelerou em dezembro e pode ganhar ainda mais força em janeiro. O indicador de preços PCE, que exclui itens mais voláteis como alimentos e energia, subiu 0,4% em dezembro, após alta de 0,2% em novembro, segundo o Departamento de Comércio dos EUA.

 

O resultado veio em linha com as projeções de economistas. No acumulado de 12 meses, o índice avançou para 3%, acima dos 2,8% registrados no mês anterior.

🔎 O indicador é uma das principais métricas usadas pelo Fed para acompanhar sua meta de inflação de 2%. A aceleração dos preços reforça a avaliação de que o banco central americano deve adiar o início dos cortes de juros, possivelmente para depois de junho.

Já o índice PCE geral, que inclui todos os itens, também subiu 0,4% em dezembro, após 0,2% em novembro. Em 12 meses, a alta foi de 2,9%, ante 2,8% no mês anterior.

 

Brasil

 

 

  • Desemprego

 

A taxa de desemprego caiu para 5,1% no quarto trimestre de 2025, abaixo dos 5,6% do trimestre anterior e dos 6,2% registrados um ano antes, segundo a Pnad Contínua divulgada pelo IBGE.

Na comparação trimestral, o indicador recuou em seis estados (SP, RJ, PE, DF, PB e CE) e ficou estável nos demais.

As maiores taxas foram registradas em Pernambuco (8,8%) e Amapá (8,4%), enquanto as menores apareceram em Santa Catarina (2,2%) e Espírito Santo, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso (2,4%).

No resultado anual, o desemprego caiu para 5,6% em 2025, o menor nível da série histórica iniciada em 2012, com 20 estados atingindo seus menores patamares.

 

 

Mercados globais

 

Nos Estados Unidos, os três principais índices de Wall Street operavam em alta nesta sexta-feira (20), conforme investidores avaliavam a decisão da Suprema Corte americana de derrubar o tarifaço do presidente Donald Trump. Dados econômicos também ficavam no radar.

Perto das 17h15, o Dow Jones registrava alta de 0,33%, enquanto o S&P 500 e o Nasdaq Composite subiam 0,72% e 0,92%, respectivamente.

A decisão da Suprema Corte americana também influenciou os mercados na Europa, que fecharam majoritariamente em alta. O índice pan-europeu STOXX 600 avançou 0,84%, aos 630,56 pontos.

Entre os demais destaques, o CAC-40, da França, subiu 1,39%, enquanto o DAX, da Alemanha, avançou 0,87% e o FTSE 100, do Reino Unido, teve alta de 0,56%.

Já as bolsas da Ásia tiveram um dia misto nesta sexta-feira, influenciadas principalmente pelas tensões entre os Estados Unidos e o Irã, que deixaram os investidores mais cautelosos.

No Japão, Nikkei caiu -1,1%, fechando em 56.825 pontos, Topix também fechou em queda -1,1%, em 3.808 pontos.

A queda foi puxada por ações de companhias aéreas e empresas financeiras, além do impacto negativo de problemas no setor de investimentos nos Estados Unidos.

Em outros mercados da Ásia:

 

  • Hong Kong (Hang Seng): caiu 1,10%, aos 26.413 pontos;
  • Coreia do Sul (Kospi): subiu 2,31%, aos 5.808 pontos;
  • Cingapura (Straits Times): alta de 0,15%, aos 5.009 pontos;
  • Austrália (S&P/ASX 200): leve queda de 0,05%, aos 9.081 pontos

 

Os investidores ficaram receosos com possíveis conflitos entre EUA e Irã durante o feriado prolongado no Japão, o que levou muitos a vender ações para garantir lucro antes do fim de semana.

[0] Comentários | Deixe seu comentário.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.