20 de fevereiro de 2026

Da presidência à irrelevância: como Ériko Jácome enfraqueceu a Câmara, perdeu espaço no próprio grupo político e corre o risco de passar por 2026 e continuar vereador

Autor: Daniel Menezes

A passagem de Ériko Jácome pela presidência da Câmara Municipal, que começou cercada de expectativa, caminha para ser lembrada como um período de enfraquecimento institucional. Em vez de afirmar a independência do Legislativo, a condução adotada foi marcada por alinhamento quase automático ao Executivo. Diferentemente de presidentes anteriores — inclusive o próprio Paulinho Freire, que utilizou o cargo para pressionar o então prefeito e acumular capital político —, Ériko abriu mão de instrumentos de protagonismo da Casa. Direitos regimentais foram relativizados, o poder de articulação foi reduzido e a Câmara perdeu centralidade no debate político da cidade, virando espaço de achaque e auto-humilhação perpetrada pela geração artificial de escândalos internos emulados pela primeira dama Nina Souza, que mandou os vereadores centrarem fogo contra Brisa.

O episódio mais simbólico dessa postura ocorreu na abertura dos trabalhos legislativos. Após o carnaval, com a alegação de que estaria com virose e não poderia comparecer para ler a mensagem anual, o prefeito não foi à Câmara. Em vez de manter o rito institucional, a presidência optou por adiar a sessão e manter a Casa fechada à espera do chefe do Executivo. O gesto foi interpretado nos bastidores como demonstração de fragilidade política e subordinação. Em política, gestos falam alto e esse ecoou como sinal de dependência.

Paralelamente, o projeto eleitoral que antes parecia promissor também foi sendo esvaziado. O que era tratado como caminho para uma candidatura a deputado federal virou plano de disputar vaga de deputado estadual em parceria política; agora, o cenário aponta para múltiplas alianças dentro do próprio grupo e incertezas partidárias que colocam em dúvida até a viabilidade da candidatura de Ériko. Enquanto o prefeito amplia apoios e diversifica suas articulações, o presidente da Câmara vê seu espaço diminuir. A política costuma premiar quem constrói força institucional e cobra um preço alto de quem abre mão dela.

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