18 de fevereiro de 2026
MP do TCU vê ‘risco sistêmico’ em possível participação de autoridades em festas de Vorcaro
Autor: Daniel Menezes
Na representação junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) em que pediu abertura de um processo para identificar autoridades federais que teriam participado de festas do proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, em sua casa de veraneio, o Ministério Público menciona que o envolvimento de autoridades de alta cúpula “representa um risco sistêmico para a confiança nas instituições públicas”.
O pedido de investigação é baseado em nota do jornalista Luís Costa Pinto, na coluna Reserva Exclusiva, publicada na Revista Liberta.
“O objetivo é saber quem possui intimidade para ir a festas ou provocar interferências. As conclusões de qualquer investigação podem ser contaminadas por interferências políticas. Elas sempre atrapalham e contaminam. Fica mais fácil afastar essas interferências se são conhecidas suas origens”, explicou o Subprocurador-Geral Lucas Rocha Furtado, sobre a representação.
A nota da Revista Liberta, publicada em 22 de janeiro, cita uma fonte que revelou a existência de vídeos “documentando as festas privadas dadas pelo ex-banqueiro”. “Altas autoridades dos Três Poderes da República foram a essas festas. Do Poder Executivo, no atual governo, ninguém protagoniza as fitas. Integrantes do ministério de Jair Bolsonaro, no governo passado, sim. À farta. Eram farrinhas privê reunindo homens e mulheres do mercado financeiro, da política e do meio jurídico”, diz a nota da coluna Reserva Exclusiva.
A publicação revela que existe uma edição picante – e preocupante – dessas imagens numa reunião do board da distribuidora de títulos e valores mobiliários Reag DTVM, em que se destaca um figurão do Poder Judiciário.
A coluna da revista Liberta informou que “quem ia às festas privê na casa de Trancoso do ex-banqueiro se via obrigado a deixar o celular desligado e nas mãos de alguém da área de segurança durante os convescotes. Em algumas das farras havia até detectores de metal nas entradas dos salões. Contudo, Vorcaro possuía um circuito interno de câmeras”.
Procuradas pela Reserva Exclusiva, na época da publicação da nota, as assessorias jurídica e de imprensa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e do liquidado Master preferiram não se pronunciar sobre o tema sem fazer ressalva alguma à publicação.

Daniel Vorcaro
Representação do MP
Na representação, o Subprocurador-Geral Lucas Rocha Furtado levanta preocupações sobre possíveis irregularidades e impactos na administração pública, “especialmente considerando o envolvimento de autoridades federais”. “A situação descrita na matéria jornalística é preocupante e ainda carece de esclarecimentos”.
“Reforço que a gravidade dos fatos narrados não pode ser subestimada. A possibilidade de envolvimento de autoridades de alta cúpula em eventos que podem estar relacionados a um escândalo financeiro de grandes proporções representa um risco sistêmico para a confiança nas instituições públicas”, completa. A representação foi feita no dia 29 de janeiro deste ano.
A representação do MP pede que o TCU adote medidas imediatas para identificar as autoridades públicas federais que participaram dos eventos, incluindo procuradores, magistrados e outros agentes públicos, e para verificar se houve qualquer tipo de envolvimento de órgãos ou entidades federais na promoção ou financiamento dessas festas. O MP pede, ainda, a verificação dos possíveis impactos financeiros e administrativos que esse escândalo pode ter sobre outras instituições públicas, como o Banco do Brasil, Banco de Brasília (BRB) e o BNDES.
“A obscuridade que ainda cerca a magnitude das possíveis irregularidades mencionadas na matéria jornalística exige uma atuação célere e eficaz do TCU, especialmente para evitar prejuízos irreparáveis ao erário e à moralidade administrativa”, diz o MP.
Segundo o órgão, “a concessão de medidas cautelares pode ser necessária para garantir a preservação de provas e o esclarecimento dos fatos, uma vez que a demora na apuração pode comprometer a obtenção de informações cruciais”.
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