8 de fevereiro de 2026
A esquerda do RN pega leve demais com os erros da direita, que não deixa barato
Autor: Daniel Menezes
A esquerda no Rio Grande do Norte tem sido excessivamente complacente com erros concretos da direita que impactam diretamente a vida da população e poderia lhe trazer vantagens eleitorais. A privatização da Refinaria Clara Camarão, conduzida no governo Jair Bolsonaro, foi vendida como promessa de redução do preço dos combustíveis. O resultado foi o oposto: hoje, a gasolina produzida no RN é mais cara do que a vendida em estados abastecidos por refinarias da Petrobras. O mesmo roteiro se repetiu com a privatização dos campos terrestres e a retirada da estatal do estado, também celebradas por políticos de direita como avanço. Vieram, na prática, queda de produção, redução de royalties e menos recursos circulando na economia potiguar.
No plano político-ideológico, a derrocada das narrativas da extrema direita é ainda mais evidente. O caso Jeffrey Epstein, com ramificações que alcançam Natal, desmonta o discurso moralista que sempre mirou minorias, mas silencia diante de fatos concretos de exploração sexual. Quem levou o tema ao debate público foi praticamente só Fernando Mineiro, ao lembrar que quem diz combater a exploração de mulheres e a pedofilia deveria, no mínimo, acompanhar e cobrar apuração rigorosa do caso. O contraste é gritante: onde o discurso era estridente, instalou-se o silêncio.
Mesmo assim, a direita segue com a faca nos dentes na disputa pela opinião pública. Parlamentares que exaltavam Donald Trump fingiram não ver o escândalo; alguns, como Carla Dickson, chegaram a apagar vídeos de apoio incondicional. E o que fez a esquerda diante dessa sequência de contradições, fracassos e omissões? Quase nada. Enquanto a direita não deixa passar um fio de cabelo — mesmo quando precisa inventar, distorcer ou mentir —, a esquerda abdica do confronto político e entrega, de bandeja, os rumos do debate público a quem não tem compromisso algum com a verdade.
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