14 de janeiro de 2026

FBI faz buscas na casa de repórter do Washington Post e apreende celular e notebooks

Autor: Daniel Menezes

Do ICL - Agentes do FBI realizaram buscas na casa da repórter do Washington Post, Hannah Natanson, em Virgínia (EUA), nesta quarta-feira (14). Durante a ação, os agentes apreenderam dois notebooks, um celular e um relógio inteligente. A operação faz parte de uma investigação sobre vazamentos de informações confidenciais do governo dos Estados Unidos. O jornal classificou a medida como “extremamente incomum e agressiva”.

Segundo o Washington Post, Natanson foi informada de que não é alvo da investigação nem acusada de qualquer irregularidade.

A apuração do FBI teria como foco Aurelio Perez-Lugones, funcionário terceirizado do Pentágono, acusado de imprimir ilegalmente informações oficiais de defesa nacional e compartilhar com a imprensa. Materiais marcados como “secretos” teriam sido encontrados no carro e na casa dele. Perez-Lugones tinha acesso aos documentos, mas não autorização para retirá-los das dependências oficiais.

A procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, confirmou a operação em publicação nas redes sociais e afirmou que o mandado foi executado a pedido do Departamento de Defesa. Segundo ela, o responsável pelo vazamento está preso e o governo Trump não vai tolerar a “divulgação ilegal” de informações consideradas “sensíveis à segurança nacional”. A Casa Branca também afirmou que vazamentos desse tipo colocam em risco “militares” e “interesses estratégicos do país”.

 

O Washington Post destacou que Natanson cobre a Casa Branca e acompanha de perto a reformulação do governo federal promovida por Donald Trump. Entre suas últimas reportagens, estão mudanças na previdência social americana e a demissão de diversos embaixadores. A direção do jornal afirmou que ações desse tipo contra jornalistas são “altamente incomuns e agressivas”.

Embora investigações sobre documentos confidenciais sejam comuns em Washington, a busca na residência de uma repórter é vista por entidades e analistas como uma escalada na relação já tensa entre o governo Trump e a imprensa. No ano passado, Bondi revogou uma política da gestão Biden que restringia o acesso de autoridades a registros telefônicos de jornalistas em apurações sobre vazamentos.

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