3 de março de 2026

Com três grupos políticos concentrando toda atenção, o “partido da Assembleia” avança em silêncio e pode ser o fiel da balança na eleição tampão do RN

Autor: Daniel Menezes

Muito se fala nos três blocos (o do governo, do bolsonarismo e o de Allyson Bezerra) que hoje se movimentam de olho em uma eventual eleição indireta no Rio Grande do Norte, caso a governadora Fátima Bezerra e o vice Walter Alves deixem definitivamente os cargos. Mas há um quarto grupo que parece subestimado nas análises públicas e que pode ser o mais determinante de todos: o próprio “partido da Assembleia”. Liderado pelo presidente da Casa, Ezequiel Ferreira, esse grupo não depende de palanques externos nem de lideranças nacionais para operar. Depende apenas da correlação de forças interna entre os 24 deputados estaduais, que são justamente os responsáveis por eleger, em votação indireta, o governador tampão.

Nos bastidores, a hipótese é simples e estratégica. Se houver desincompatibilização e Walter não assumir, a eleição cairá no colo da Assembleia. Nesse cenário, Ezequiel, que conduz a Casa com habilidade política reconhecida até por adversários, poderia articular um nome alinhado ao núcleo parlamentar ou até ele próprio emergir como solução de consenso. Governar por nove meses com a máquina estadual nas mãos não é pouco. Significa poder político, capacidade de articulação regional e influência direta na montagem de nominatas competitivas para deputado estadual, com reflexos também nas disputas para federal e nas majoritárias.

Diferentemente dos grupos ideológicos que se alinham à esquerda ou à direita, o “partido da Assembleia” tende a operar com uma lógica pragmática, voltada à sobrevivência e ao fortalecimento do próprio Parlamento. Não seria um projeto necessariamente vinculado a Lula ou ao bolsonarismo, mas a um pacto interno de interesses convergentes dos deputados. Em uma eleição decidida por voto fechado dentro da Casa, essa engrenagem pode ser mais forte que qualquer discurso externo. Ignorar esse fator é analisar o tabuleiro olhando apenas para as peças mais barulhentas, enquanto a mão que move o jogo pode estar bem mais próxima do centro do poder.

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