5 de janeiro de 2026
SEM BANHO DE MAR - Engorda de Ponta Negra empurra banhistas para o perigo de afogamento e ataque de tubarões
Autor: Daniel Menezes
A aparição de um tubarão-lixa em águas rasas da Praia de Ponta Negra hoje (4) não é um “acidente isolado”, mas um alerta direto sobre os efeitos da engorda da praia. A obra não trouxe o animal para perto da orla — trouxe as pessoas para dentro do território onde ele sempre esteve. O risco mudou de lugar, e o poder público fingiu que não percebeu.
Ao alargar artificialmente a faixa de areia, a engorda redefiniu a linha entre lazer e perigo, empurrando banhistas para áreas antes profundas, sem qualquer sinalização clara, monitoramento ambiental contínuo ou debate transparente com a sociedade. Vendeu-se segurança e solução definitiva; entregou-se exposição, perigo de afogamento e improviso, inclusive com uma drenagem que até agora não foi feita.
O episódio escancara o problema central da obra: intervenção pesada na natureza sem planejamento ambiental à altura. A praia ficou maior, mas os impactos reais ficaram fora da propaganda oficial. A natureza não se adapta ao discurso — cobra.
O tubarão deixou o seu o recado: quando a política empurra a areia, quem paga o risco é o cidadão.
