5 de janeiro de 2026

LENTIDÃO QUE PROTEGE - Prestes a completar um ano, a morosidade da justiça ajuda Paulinho Freire e permite que Álvaro Dias siga em pré-campanha sem ser incomodado após maior crime eleitoral da história de Natal

Autor: Daniel Menezes

Falta menos de um mês para completar um ano desde que o GAECO — Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado — ingressou com pedido de cassação e declaração de inelegibilidade envolvendo o atual prefeito Paulinho Freire, a vice Joana Guerra, o ex-prefeito Álvaro Dias e ainda dois vereadores. Passados quase doze meses, o que se impõe não é apenas a gravidade das acusações, mas o efeito concreto da demora: o tempo tem operado objetivamente a favor do grupo que hoje controla a Prefeitura do Natal, normalizando politicamente fatos que, em qualquer outro contexto, exigiriam resposta célere e exemplar.

A inércia processual também permitiu que Álvaro Dias seguisse fazendo política como se nada tivesse ocorrido, mesmo após um 2024 marcado por práticas que, segundo os autos, praticamente “gabaritaram” o Código Eleitoral: uso da máquina pública, articulações explícitas, diálogos de WhatsApp incorporados ao processo e indícios reiterados de interferência direta no pleito. Ainda assim, o ex-prefeito circula, articula e influencia, protegido não por absolvição, mas pela lentidão. A Justiça Eleitoral do Rio Grande do Norte, nesse caso, revela uma face incômoda: rigorosa e implacável com prefeitos de pequenas e médias cidades, mas surpreendentemente mansa diante do que muitos já classificam como o maior e mais estruturado esquema de crime eleitoral da história recente de Natal. O silêncio do tempo, aqui, não é neutro — ele produz efeitos políticos, distorce a disputa democrática e cobra um preço alto da credibilidade institucional.

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