29 de março de 2026

Estudo aponta escravidão como raiz histórica do baixo PIB per capita no Brasil

Autor: Daniel Menezes

Um estudo recente destacado pela Folha de S.Paulo indica que a persistência do trabalho escravo foi determinante para a trajetória de baixo PIB per capita no Brasil ao longo dos séculos. A pesquisa reconstruiu a evolução da renda no país entre 1574 e 1920, com base em milhares de registros históricos de salários e preços, e concluiu que o Brasil deixou de acompanhar economias mais ricas ainda no século XVII, entrando em um longo período de estagnação econômica.

Segundo os autores, o modelo econômico sustentado pela escravidão gerou uma dinâmica estrutural de baixos salários e baixa produtividade. A abundância de mão de obra forçada reduziu o incentivo à inovação e ao investimento em tecnologia, enquanto também pressionava para baixo os rendimentos dos trabalhadores livres. Esse conjunto de fatores teria limitado o crescimento econômico por cerca de dois séculos, consolidando um padrão de renda estagnada.

O estudo também aponta que a superação gradual desse modelo, especialmente com o enfraquecimento do tráfico de escravizados e mudanças na estrutura produtiva, permitiu uma retomada mais consistente do crescimento a partir do século XIX. Ainda assim, os efeitos históricos dessa estrutura econômica permanecem como herança, ajudando a explicar por que o Brasil mantém, até hoje, níveis de renda per capita inferiores aos de países que não tiveram o mesmo padrão de desenvolvimento baseado no trabalho escravo.

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