28 de março de 2026

Quando a ética é invocada de forma distinta: Styvenson Valentim, que já criticou Republicanos e Rogério Marinho, recusa o partido e mantém proximidade com o “pai político”

Autor: Daniel Menezes

Ao recusar assumir o comando do Republicanos no Rio Grande do Norte, o senador Styvenson Valentim afirmou, nesta semana, que a decisão foi baseada em critérios de “coerência”. Segundo ele, não seria adequado integrar um partido ao qual já dirigiu críticas públicas, inclusive no contexto da CPMI do INSS. O parlamentar declarou que não considera “ético” dividir espaço político com figuras que já foram alvo de seus questionamentos, citando embates com integrantes ligados à sigla, como Abraão Lincoln. A posição foi apresentada como alinhada a princípios pessoais, mesmo diante de eventuais ganhos políticos, como maior tempo de televisão e acesso a recursos eleitorais.

A justificativa pode ser analisada à luz de posicionamentos anteriores do próprio senador. Em outros momentos, Styvenson Valentim também fez críticas públicas ao senador Rogério Marinho, especialmente durante debates relacionados ao chamado orçamento secreto. Apesar disso, tais divergências não impediram, posteriormente, uma aproximação política entre ambos. Ao longo do tempo, Rogério passou a ocupar posição de aliado relevante e, em declarações públicas, foi mencionado como “pai político”, o que é apontado em registros públicos e declarações já divulgadas.

Diante desse contexto, a diferença de tratamento pode ser compreendida, no âmbito do debate público, como um elemento passível de interpretação. Se, por um lado, críticas anteriores são apontadas como impeditivo para determinadas alianças, por outro, situações semelhantes não necessariamente produziram o mesmo desfecho em outras relações políticas. Essa leitura não implica conclusão definitiva, mas indica que a aplicação de critérios pode variar conforme o contexto, conforme diferentes análises e interpretações possíveis.

Veja, por exemplo, uma das muitas matérias que circularam no RN e no Brasil sobre o tema.

Rogério Marinho e Styvenson discutem no Senado e transformam sessão sobre “orçamento secreto” em debate sobre eleição no RN

Do Metrópoles e da 98fm

07 de Dezembro de 2024

O ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, se desentendeu, nesta terça-feira (7/12), com o senador Styvenson Valentim (Podemos-RN) em sessão da Comissão de Transparência, Governança, Fiscalização e Controle (CTFC) do Senado Federal. O titular da pasta foi convidado a prestar esclarecimentos sobre direcionamento de emendas de R$ 1,4 milhão do chamado orçamento secreto.

Marinho iniciou a participação no colegiado abrindo mão dos 15 minutos iniciais oferecidos pela presidência da comissão, ocupada pelo senador Reguffe (Podemos-DF), e pediu que os senadores começassem a fazer os questionamentos. Segundo o ministro, a decisão de abrir mão da introdução era para permitir maior celeridade na oitiva.

O primeiro inscrito para fazer as perguntas ao ministro era Valentim, autor do requerimento que originou o convite de Marinho à comissão. O titular da pasta do Desenvolvimento Regional, no entanto, se demonstrou irritado com os questionamentos do senador potiguar.

O ministro do presidente Jair Bolsonaro (PL) é cotado para ser candidato ao Senado pelo Rio Grande do Norte, estado pelo qual o senador do Podemos elegeu-se e que espera poder governar em 2022. Na avaliação do ministro, as perguntas de Valentim faziam “ilações”.

“Vossa excelência está fazendo ilação. Eu tenho todo direito de eventualmente pleitear um mandato, como vossa excelência tem interesse em se lançar governador do estado, pelo menos é o que está sendo vinculado na imprensa local e vossa excelência está se pautando pela imprensa para falar a meu respeito”, disparou.

Em resposta, o senador classificou com “antiética” a postura do ministro em destinar recursos públicos com, segundo ele, finalidades eleitoreiras. “Estou aqui só para esclarecer. Não acho ético, não acho justo para com quem quer concorrer contra quem está com recursos. Em relação à disputa pelo governo, é a imprensa que diz não sou eu, mas o senhor já anunciou que é candidato”, disse.

“Vou demitir toda minha assessoria”

Em outro momento, Valentim questionou a entrega de tratores pagos com emendas de relator ao seu reduto eleitoral. Marinho respondeu que a distribuição do maquinário agrícola é uma das atribuições do Ministério do Desenvolvimento Regional para “atacar as desigualdades regionais”.

“A Codevasf [Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba] entregou quase 14 mil máquinas nos estados que ela tem atuação. O Rio Grande do Norte recebeu mais de 500. Se o senhor está achando que é muito, eu acho que não. Eu acho que o Rio Grande do Norte precisa ser ajudado. Enquanto eu for ministro, vou atacar as desigualdades regionais”, disse.

O senador potiguar também provocou o ministro sobre a falta de transparência em torno do pagamento das emendas, que respondeu dizendo que as informações são públicas e solicitaria à assessoria do Desenvolvimento Regional para informá-lo sobre os recursos.

“Vossa excelência não está conseguindo encontrar e eu vou ajudá-lo”, enfatizou ao parlamentar, que respondeu: “Vou demitir toda minha assessoria, então. Um batalhão de gente que não consegue achar uma informação simples”.

“Lícito”

Em 16 de novembro, a CTFC convidou Marinho a prestar esclarecimentos sobre direcionamento de emendas no valor de R$ 1,4 milhão do chamado orçamento secreto. Os parlamentares cobraram do ministro esclarecimentos sobre o direcionamento da verba para financiamento da construção de um mirante turístico a 300 metros de onde possui um imóvel, no Monte das Gameleiras (RN).

A informação consta em reportagem do jornal O Estado de S. Paulo sobre a distribuição de R$ 88 milhões para aquisição de tratores e caminhões a 39 municípios do Rio Grande do Norte, por meio de recursos oriundos de emendas do relator-geral do Orçamento, alocados no Ministério do Desenvolvimento Regional (Codevasf) e distribuídos, segundo a matéria, por meio de uma “Planilha interna do MDR – gabinete do Ministro”.

Marinho defendeu nesta tarde que apenas atendeu a pedidos de parlamentares do estado e que os critérios para destinação das emendas “foram definidos pelo manual de cada secretaria finalística do ministério”. “Tudo lícito, normal e legítimo”, enfatizou o ministro.

“O que estamos assistindo hoje é uma discussão do leite derramado. Não pode se cobrar do Executivo o que ele não pode oferecer. Nós cumprimos a lei”, respondeu o ministro ao senador Eduardo Girão (Podemos-CE), que criticou a falta de publicidade no pagamento das emendas.

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