12 de março de 2026

CPMI rejeita convocação de Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha

Autor: Daniel Menezes

A CPMI do INSS rejeitou, por 16 votos a 12, dois requerimentos para a convocação da lobista Roberta Luchsinger, amiga do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. O relator, Alfredo Gaspar (União-AL), afirma que ela teria atuado como elo entre o filho do presidente Lula e a cúpula da organização criminosa envolvida nas fraudes em descontos associativos no instituto.

Os requerimentos foram apresentados pelo relator e pelo deputado Coronel Chrisóstomo (PL-RO). "A convocação da senhora Roberta Luchsinger é de extrema importância para que a CPMI do INSS possa esclarecer os mecanismos de dilapidação e ocultação de patrimônio oriundos das fraudes contra aposentados e pensionistas", argumentou Gaspar.

Oposição acusa base do governo de blindar suspeitos por afinidade política.

Oposição acusa base do governo de blindar suspeitos por afinidade política.Geraldo Magela/Agência Senado

 

A comissão busca apurar suspeitas de que Lulinha teria recebido, por intermédio de Luchsinger, repasses mensais de R$ 300 mil provenientes do esquema. Gaspar também acusa a lobista de ocupar uma "posição estratégica" no núcleo político da organização, mantendo contato constante com lideranças como Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS".

Os votos contrários partiram, em sua maioria, de parlamentares da base do governo. Durante a discussão, o deputado Rogério Correia (PT-MG) afirmou que a Polícia Federal já periciou dados fiscais, bancários e telemáticos de Lulinha. "O que se encontrou no sigilo de Lulinha? Absolutamente nada que tivesse relação com a CPMI e absolutamente nada de errado", disse.

O parlamentar acusou a oposição de atacar o filho do presidente e a lobista para desviar a atenção de assuntos relacionados à fraude do Banco Master. "Lulinha não tem nada a ver com esse assunto. E também a Roberta não tem nada a ver com o assunto do INSS, é outra cortina de fumaça".

Do outro lado, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), acusou o governo de tentar proteger suspeitos por proximidade política. "Queremos investigar de verdade essa roubalheira, porque não dá para ficar aqui blindando quem quer que seja. (...) Aqui na oposição não tem blindador".

A CPMI chegou a aprovar, no fim de fevereiro, requerimentos de quebra de sigilo de Lulinha e de Roberta Luchsinger. O efeito, porém, foi suspenso por decisão do ministro Flávio Dino, do STF, após identificação de vício no procedimento de votação.

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