5 de março de 2026

Em mensagens à namorada, Vorcaro diz estar 'sofrendo uma extorsão' em Brasília

Autor: Daniel Menezes

G1 - Em uma das trocas de mensagem entre o banqueiro Daniel Vorcaro e sua namorada, Martha Graeff, o dono do Banco Master diz à companheira estar "sofrendo uma extorsão", em abril de 2024. Ele não cita quem estaria praticando a extorsão.

O diálogo do dia 9 de abril de 2024 aparece em mensagens reunidas em documentos que estão sendo analisados pela CPMI do INSS no Senado.

Nos documentos, o nome de Daniel Vorcaro aparece com a abreviação DV. Veja o diálogo abaixo:

- DV : Hoje foi um dia péssimo pra mim

- Martha Graeff: Por que??? O que aconteceu?

- DV: Nada demais

- DV: Sofrendo uma extorsão bem chata

- DV: But its ok

- Martha Graeff: Mas de quem?

- DV: Difícil me abalar e jogar pra baixo

- Martha Graeff: Tô triste com isso. Espero que se resolva logo 🙏

- DV: Fica não amor

- DV: Tá tudo bem

 

Prisão de Vorcaro

 

Daniel Vorcaro e a namorada Martha Graeff em viagem aos Alpes franceses — Foto: Instagram Martha Graeff / reprodução

Daniel Vorcaro e a namorada Martha Graeff em viagem aos Alpes franceses — Foto: Instagram Martha Graeff / reprodução

Daniel Vorcaro, seu cunhado Fabiano Zettel, Luiz Phillipi Mourão Moraes, apelidado de “Sicário”, e o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva foram presos na quarta-feira (4) durante a terceira fase da Operação Compliance Zero da Polícia Federal.

A prisão ocorreu por volta das 6h, quando Vorcaro foi levado para a Superintendência da PF em SP. Nesta terceira fase, a Operação investiga crimes de lavagem de dinheiro, fraude processual e obstrução de justiça.

Na decisão do ministro do STF, André Mendonça, afirma que Daniel Vorcaro chefiava uma espécie de milícia privada que monitorava autoridades e perseguia jornalistas. Essa foi a primeira decisão de Mendonça como relator do caso na Corte, após assumir a função em fevereiro devido à saída de Dias Toffoli da relatoria.

 

O nome da operação é uma referência à falta de controles internos nas instituições envolvidas para evitar crimes de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e manipulação de mercado.

Esta etapa da Operação foi deflagrada a partir das mensagens encontradas no celular do banqueiro, apreendido em novembro de 2025. As mensagens mostram que o grupo também teria se infiltrado no Banco Central. Os investigadores afirmam que dois servidores de alto escalão, Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, recebiam propina para dar informações privilegiadas a Daniel Vorcaro.

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