26 de fevereiro de 2026

"Talvez não soubesse escrever", diz Gilmar Mendes sobre Sergio Moro

Autor: Daniel Menezes

Congresso em Foco - Em discurso alusivo aos 135 anos do STF, o ministro Gilmar Mendes, decano da Corte, ironizou rumores de que o senador Sergio Moro (União-PR) teria contratado escritores fantasmas para a publicação de seus livros. Em meio a críticas à Operação Lava Jato, sugeriu que o ex-juiz precisaria desses profissionais por não saber escrever corretamente.

"Como todos sabem, e eu não quero constranger ninguém, muitos jornalistas importantes, hoje talvez até promovidos na mídia qualificada, eram ghost writers de Moro e companhia. E veja: Moro precisava ter ghost writers, porque talvez não soubesse escrever com G ou com J a palavra tigela", declarou.

No discurso, Gilmar citou a repercussão da Lava Jato como um dos episódios em que o Supremo precisou se posicionar contra o que classificou como "práticas processuais autoritárias". "Naquela ocasião, o Tribunal reafirmou seu compromisso intransigente com a preservação das garantias individuais, notadamente contra o autoritarismo penal que emergiu no auge da operação", afirmou.

A anulação dos atos da Lava Jato, segundo o ministro, representou o desmantelamento de "uma metodologia de subversão do sistema acusatório, que operou por anos a fio sob o manto da legalidade formal, convertendo o aparato de justiça em instrumento de um projeto político, camuflado sob a nobre bandeira do combate à corrupção".

8 de janeiro e julgamento de Bolsonaro

O decano também destacou a atuação do Supremo na resposta institucional aos ataques às sedes dos Três Poderes, em 8 de janeiro de 2023, episódio que chamou de "dia da infâmia". Para ele, um dos momentos mais relevantes foi o julgamento do ex presidente Jair Bolsonaro e de outros condenados na ação penal sobre a tentativa de golpe, após a descoberta do plano Punhal Verde e Amarelo, que previa o assassinato do presidente Lula, do vice presidente Geraldo Alckmin e do ministro Alexandre de Moraes.

"A conclusão do julgamento dos responsáveis, no ano passado, constituiu um fato histórico: foi a primeira vez que um ex chefe de Estado, ao lado de militares de alta patente, foi condenado por golpe ou tentativa de golpe de Estado no Brasil, que se tornou um case internacional de defesa da democracia", disse.

Segundo o ministro, "se não fosse a forma enérgica e resoluta pela qual o STF lidou com as ameaças autoritárias dos últimos anos, provavelmente teríamos assistido à debacle da democracia brasileira e ao mergulho no obscurantismo".

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