26 de fevereiro de 2026

Base do governo diz que houve fraude para quebrar sigilo de Lulinha

Autor: Daniel Menezes

Congresso em foco - O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) afirmou nesta quinta-feira (26) que houve "ato golpista" na condução da sessão da CPMI do INSS que aprovou a quebra de sigilo bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. Segundo ele, a oposição teria fraudado o resultado da votação e impedido a análise de requerimentos apresentados pela base governista.

 

"O que aconteceu é a prática corriqueira do bolsonarismo de tentar dar golpe. Eles são golpistas contumazes. O que ocorre é que, concretamente, eles não queriam pautar os requerimentos que interessam."

A crise começou durante a votação em bloco de quase 90 requerimentos, entre eles o pedido de quebra de sigilo do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A votação foi conduzida de forma simbólica pelo presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), que solicitou que apenas os parlamentares contrários permanecessem em pé.

 

 

 

Randolfe afirmou que a base governista teve requerimentos ignorados antes da votação. Segundo ele, o presidente da comissão não pautou pedidos de convocação e quebra de sigilo de investigados ligados à oposição.

"O senhor presidente não atendeu um requerimento do líder Pimenta para que fosse convocado e quebrado o sigilo do senhor Zetel. O que é que teme?", questionou.

Ele também citou requerimento para convocação de Letícia, gerente de escritório de advocacia ligado ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), além de pedidos de investigação envolvendo o PRB e empresa ligada ao governador Romeu Zema (Novo-MG).

 

"Investigação não pode ser seletiva."

O senador acusou a oposição de manipular o resultado da votação ao perceber que estaria em minoria.

 

"Inconformados, sabendo que estavam em minoria, o que fizeram? Em um ato golpista, de fraude, desonesto, eles fraudaram o resultado. Basta contar. As imagens da TV Senado mostram. Quatorze parlamentares estavam em pé, todos titulares."

Após a proclamação do resultado, parlamentares governistas foram até a mesa para contestar a contagem. Deputados e senadores trocaram acusações com o relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), autor do requerimento que pediu a quebra de sigilo de Lulinha.

Diante do tumulto, a sessão foi suspensa.

Paulo Pimenta

O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) também acusou o presidente da comissão de fraude. Segundo ele, no momento da votação havia 21 parlamentares titulares em plenário. "Destes, 14 votaram contra a aprovação dos requerimentos e 7 favoravelmente", afirmou.

 

"Todos nós sabemos quem eram os 14 parlamentares que estavam presentes e quem eram os sete parlamentares. Mesmo assim, diante de uma maioria de 14 a sete, o presidente proclamou um resultado diferente do que estava acontecendo."

O deputado afirmou que a base pedirá a anulação da votação. "Essa votação foi fraude. O resultado que o presidente anunciou não é verdadeiro. Foi uma atitude desonesta por parte do presidente da comissão", disse.

Segundo Pimenta, será encaminhado pedido formal ao presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP), para revisão do ato. Ele também anunciou representação no Conselho de Ética contra Carlos Viana.

 

"Ele precisa ser responsabilizado porque, na condição de presidente da comissão, jamais poderia ter cometido esse ato de ilegalidade. Confesso a vocês que em todos os meus anos de parlamento, eu nunca vi uma violação tão grave na democracia aqui nesta Casa."

A oposição sustenta que a votação seguiu o regimento. Aliados do governo pedem a anulação do resultado.

 

14 deputados se levantaram contra o requerimento.

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