18 de fevereiro de 2026
Ex-ministros de Jair Bolsonaro entram na mira da CPMI do INSS
Autor: Daniel Menezes
Do ICL
Por Cleber Lourenço
A liquidação extrajudicial do Banco Pleno S.A., determinada nesta quarta-feira (18) pelo Banco Central, ampliou o alcance político da CPMI do INSS. O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) apresentou uma série de requerimentos para convocar três ex-ministros do governo Jair Bolsonaro que tiveram vínculos com a instituição, considerada satélite do Banco Master.
A CPMI foi criada, conforme registram os próprios documentos, “para investigar o mecanismo bilionário de fraudes identificado no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS)”, revelado após a deflagração da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal.
Os pedidos atingem Flávia Carolina Peres, ex-ministra-chefe da Secretaria de Governo (SEGOV), Ronaldo Vieira Bento e João Inácio Ribeiro Roma Neto, ambos ex-ministros da Cidadania. Correia também solicitou a convocação de Augusto Ferreira Lima, ex-CEO do Banco Pleno e ex-sócio do Banco Master.
No requerimento de convocação de Flávia Peres, o parlamentar sustenta que “torna-se imprescindível a apuração das responsabilidades decorrentes de ações e eventuais omissões relacionadas ao esquema de fraudes identificado no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), especialmente no que diz respeito à estrutura financeira e institucional que pode ter viabilizado a circulação e a destinação de recursos oriundos de descontos indevidos aplicados a aposentados e pensionistas”.
O texto destaca que ela integrava o Conselho de Administração do Banco Pleno, cuja liquidação foi decretada “no contexto de apurações que envolvem conexões com o Banco Master”. Flávia é casada com Augusto Lima, que comandou a instituição antes da intervenção.
Já no pedido de convocação de Ronaldo Vieira Bento, o deputado menciona reportagem que aponta que o ex-ministro, “após deixar a pasta responsável pela gestão do Auxílio Brasil, assumiu cargo estratégico em empresas ligadas ao Banco Master”.
O requerimento registra ainda que Bento atuou diretamente na implementação do Auxílio Brasil e cita auditoria da Controladoria-Geral da União segundo a qual “93% dos contratos de consignados vinculados ao programa foram firmados em outubro de 2022”, além da identificação de descontos indevidos sobre benefícios.
O documento também afirma que registros societários indicam Bento como administrador da Mettacard Administradora de Cartões e diretor do Banco Pleno S.A., instituição criada a partir do antigo Banco Voiter em reestruturação do conglomerado Master.
Em dezembro de 2025, Rogério Correia já havia apresentado requerimento para convocação de Bento, mas o pedido ainda não foi apreciado.
No caso de João Roma, o requerimento sustenta que “torna-se imprescindível a apuração das responsabilidades decorrentes de ações e eventuais omissões relacionadas ao mecanismo de fraudes identificado no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), especialmente quanto às conexões institucionais e políticas que possam ter contribuído para a estrutura financeira investigada por esta Comissão”. O texto menciona relações políticas com agentes vinculados ao Banco Master e ao Banco Pleno.
Além das convocações, Correia apresentou requerimento para quebra dos sigilos bancário e fiscal do Banco Pleno S.A., com base no art. 58, §3º da Constituição Federal, na Lei 1.579/1952 e na Lei Complementar 105/2001. O pedido inclui a elaboração de Relatórios de Inteligência Financeira pelo COAF e a transferência de sigilo “de todas as contas de depósitos, contas de poupança, contas de investimento e outros bens, direitos e valores mantidos em Instituições Financeiras”, no período de 1º de janeiro de 2019 a 18 de fevereiro de 2026.
Na justificativa, o deputado ressalta que o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno em razão do “agravamento da situação econômico-financeira da instituição” e lembra que Augusto Lima foi preso no âmbito da Operação Compliance Zero. O texto aponta ainda suspeitas de irregularidades na venda de carteiras de crédito consignado ao BRB, com estimativa de prejuízo que pode superar R$ 12 bilhões.
Na avaliação do autor dos requerimentos, a presença de ex-integrantes do alto escalão do governo Bolsonaro na estrutura administrativa do Banco Pleno reforça a necessidade de esclarecimentos sobre possíveis conexões entre decisões políticas e operações financeiras investigadas.
Com a eventual aprovação das medidas, a CPMI pretende aprofundar o rastreamento de fluxos financeiros, estruturação de carteiras de crédito e vínculos entre dirigentes do banco e agentes públicos. A comissão deverá deliberar sobre os requerimentos nas próximas sessões.
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