28 de janeiro de 2026
Defesa da Dismed afirma que dinheiro encontrado pela PF tem origem lícita
Autor: Daniel Menezes
A defesa da empresa Dismed declarou, nesta quarta-feira (28), que o valor encontrado pela Polícia Federal escondido em uma caixa de isopor na residência de Oseas Monthalggan Fernandes Costa, um dos sócios da empresa, tem origem lícita e declarada. Segundo os advogados, o montante é compatível com a atividade comercial exercida pela empresa e não configura qualquer ilegalidade.
A declaração foi divulgada após a deflagração de uma operação da Polícia Federal que apura possíveis irregularidades no uso de recursos da saúde pública em prefeituras do Rio Grande do Norte. Durante a ação, os agentes apreenderam R$ 251 mil em dinheiro, além de documentos e equipamentos eletrônicos.
De acordo com a PF, na casa de Oseas Monthalggan foram localizados cerca de R$ 55 mil escondidos em uma caixa de isopor. Em Mossoró, a segunda maior cidade do estado, um dos alvos da operação foi o prefeito Allyson Bezerra (União Brasil). Os agentes estiveram na residência do gestor e apreenderam um celular, um computador e dois HDs.
As investigações tiveram início a partir de auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU), que identificaram indícios de irregularidades em contratos na área da saúde, como pagamento por materiais que não teriam sido entregues, aquisição de produtos por valores acima do mercado, em quantidades superiores à necessidade e próximos do prazo de validade.
Com autorização judicial, a Polícia Federal também realizou a interceptação de conversas entre sócios da Dismed. Em um dos diálogos, os empresários mencionam o prefeito de Mossoró e fazem referência ao que chamam de “a matemática de Mossoró”. Segundo o conteúdo atribuído às conversas, de uma ordem de compra de R$ 400 mil, apenas R$ 140 mil seriam destinados à aquisição de produtos, enquanto o restante seria distribuído da seguinte forma: R$ 130 mil como comissão para os sócios, R$ 30 mil para a empresa, R$ 40 mil para uma mulher ainda não identificada e R$ 60 mil atribuídos ao prefeito.
Em nota, a defesa da Dismed afirmou que a empresa atua há 18 anos no comércio atacadista de medicamentos de forma regular e fiscalizada, sem histórico de irregularidades. Os advogados também negaram informações sobre a apreensão de valores milionários e destacaram que manter dinheiro em residência, por si só, não configura crime.
Sobre os diálogos interceptados, a defesa informou que aguarda acesso integral aos autos para analisar a existência, o contexto e a legalidade do material, ressaltando o respeito ao devido processo legal, à presunção de inocência e às garantias constitucionais.
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