23 de janeiro de 2026
Vorcaro admite à PF que Master tinha problemas de liquidez e usava FGC como modelo de negócio
Autor: Daniel Menezes
G1 - Dono do Banco Master, Daniel Vorcaro admitiu à Polícia Federal (PF) que a instituição tinha problemas de liquidez e usava o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) como modelo de negócio.
O blog teve acesso à transcrição do depoimento dado no final de 2025 à delegada da PF responsável pelo caso.
Segundo informações que constam da transcrição feita via inteligência artificial, o dono do Master afirmou que existia uma crise e uma pressão de liquidez. No entanto, ele afirmou que relatórios do Banco Central indicaram que isso ocorreu por pressão para mudança de regulação e por conta do mercado financeiro.
Vorcaro apontou para a PF que o plano de negócio do banco era 100% baseado no FGC (entenda abaixo) e não havia nada de errado nisso, até que as regras foram mudadas depois que o banco começou a crescer, ainda de acordo com a transcrição do depoimento.
Ele afirmou que a cessão de ativos tinha se tornado a principal captação do banco até o anúncio de que o Master seria comprado pelo Banco Regional de Brasília (BRB), banco público do Distrito Federal. Segundo ele, as fontes de captação foram fechadas por completo depois que o anúncio foi feito.
No depoimento, ele afirmou que o Master chegou a originar de R$ 400 milhões a R$ 500 milhões por mês, mas que o tamanho foi reduzido para garantir liquidez. Um dos motivos foi uma comunicação feita pelo Banco Central em novembro de 2024, o que fez com que o Master montasse um plano de ação.
Para chegar nesses valores, Vorcaro disse à PF que o modelo de negócios do Master evoluiu para uma dependência agressiva da cessão de ativos e suporte do FGC e passou pelo foco em crédito consignado, a emissão de cédulas de crédito bancário (CCBs) e o uso de originadores terceirizados para aumentar o volume de negócios.
O dono do Master disse ter aportado quase R$ 6 bilhões de seu patrimônio pessoal para sustentar o modelo do Master durante a crise.
Ressarcimento do FGC a investidores do Master
O FGC é uma associação privada, sem fins lucrativos, que integra o Sistema Financeiro Nacional e atua na manutenção da estabilidade do sistema, na prevenção de crises bancárias e na proteção de depositantes e investidores.
Na prática, funciona como um fundo privado que atua como um seguro. É ele quem garante que os recursos depositados ou investidos em um banco permaneçam protegidos caso a instituição financeira enfrente alguma crise ou dificuldade.
Desde o dia 19, o FGC ressarce em até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ os correntistas e investidores que tinham recursos no Master. Cerca de 600 mil credores do Master já fizeram o pedido até a noite de segunda-feira (19).
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Daniel Vorcaro, dono do Banco Master — Foto: Reprodução
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