22 de janeiro de 2026

PRIORIDADES - No primeiro orçamento próprio, Paulinho Freire eleva em quase 40% os gastos com festas enquanto Natal segue alagada

Autor: Daniel Menezes

O primeiro orçamento elaborado integralmente pela gestão do prefeito Paulinho Freire escancara uma mudança clara de prioridades na Prefeitura de Natal. Dados da Lei Orçamentária Anual (LOA) mostram que a dotação da Fundação Capitania das Artes (Funcarte) — responsável pela política cultural e pela realização de festas e grandes eventos — salta de R$ 55,4 milhões em 2025 para R$ 77,3 milhões em 2026, um aumento de quase 40% em apenas um ano.

Os números extraídos diretamente da LOA revelam uma curva que não se sustenta apenas pela correção inflacionária. Em 2024, o orçamento da Funcarte era de R$ 54,8 milhões, valor definido ainda na gestão do então prefeito Álvaro Dias. Em 2025, já sob Paulinho Freire, mas com orçamento herdado, o crescimento foi tímido, de pouco mais de 1%. A ruptura ocorre em 2026, no primeiro orçamento efetivamente concebido pela atual gestão, quando os recursos destinados a festas e eventos explodem e rompem qualquer padrão de crescimento linear observado nos anos anteriores.

O contraste com a realidade urbana da cidade é inevitável. Enquanto a Funcarte passa a operar com um orçamento turbinado para eventos e celebrações, Natal segue convivendo com alagamentos recorrentes, problemas crônicos de drenagem e transtornos que se repetem a cada período de chuvas. Bastam poucas horas de precipitação para ruas ficarem intransitáveis, casas serem invadidas pela água e o cotidiano da população ser interrompido — um cenário que expõe a fragilidade da infraestrutura urbana.

A leitura política é direta: ao definir na LOA de 2026 seu primeiro orçamento próprio, Paulinho Freire sinaliza uma aposta pesada na agenda de festas e eventos como vitrine administrativa, mesmo diante de problemas estruturais não resolvidos. O aumento exponencial da Funcarte não é apenas um dado técnico da Lei Orçamentária; é um indicativo claro de escolha política. Em Natal, ao que tudo indica, a música sobe, o palco cresce — mas a água continua entrando.

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