21 de janeiro de 2026

RETÓRICA X AÇÃO - Styvenson quebra a palavra pública de disputar o governo em caso de desistência de Rogério Marinho

Autor: Daniel Menezes

O senador Styvenson Valentim afirmou publicamente, em entrevistas no ano passado, que poderia disputar o Governo do Rio Grande do Norte caso Rogério Marinho desistisse da corrida. A declaração foi registrada pela imprensa à época e vendida como alternativa “pronta” dentro do campo oposicionista. O cenário mudou, Rogério de fato saiu da disputa — mas Styvenson também.

Com a desistência de Rogério, que anunciou que irá coordenar a campanha de Flávio Bolsonaro e lançou Álvaro Dias como novo nome ao governo, esperava-se a concretização da promessa feita por Styvenson. Ela não veio. O senador optou por manter a pré-candidatura à reeleição ao Senado, deixando para trás o discurso de que estaria disposto a enfrentar a disputa majoritária.

O episódio reforça a distância entre retórica e ação. Conhecido por se apresentar como alguém que “tem solução para tudo”, Styvenson evitou justamente o momento em que poderia testar, nas urnas, o discurso que construiu. Ao fim, a promessa pública ficou pelo caminho — e a disputa pelo governo seguiu sem ele.

Veja a entrevista de Styvenson ao Diário do RN a seguir.

Styvenson admite disputar o Governo do RN: “Se Rogério não for, pode ser”

O senador potiguar Styvenson Valentim (PSDB) sinalizou que pode entrar na disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte em 2026, caso o aliado Rogério Marinho (PL) decida não concorrer. A declaração ocorre num momento em que a direita potiguar ainda busca consolidar uma candidatura de consenso para enfrentar o grupo da governadora Fátima Bezerra (PT). “Se Rogério não for, pode ser”, afirmou Styvenson, deixando clara a possibilidade de substituir o ex-ministro e atual senador na corrida pelo Executivo estadual. A declaração foi dada em entrevista à rádio 96FM de Natal, na última sexta-feira (06).

Até então, Styvenson é pré-candidato à reeleição, de acordo com declarações dadas por ele mesmo. Além disso, o próprio Rogério Marinho, além de Álvaro Dias e outros personagens do grupo, colocam os nomes de Marinho, Álvaro e Allyson Bezerra como os prováveis nomes para representar a oposição no pleito de 2026. Quando cogita mudar a rota, o senador se coloca como opção à frente dos demais nomes.

O parlamentar mantém o discurso de lealdade ao projeto de Rogério Marinho, mas deixa claro que está em movimento e com o nome disponível, caso o cenário mude. “Nada hoje está engessado. O que eu acordei em 2024 foi meu apoio a Paulinho. Hoje é apoio a Rogério Marinho”, resumiu.

Ele diz que “é claro que apoia” a candidatura de Rogério ao Governo, mas sua decisão depende diretamente do movimento de Marinho: “Tem uma hipótese das coisas se alterarem: se ele não for o candidato. Aí eu vou ter que refazer toda a estratégia, se eu vou para o Senado ou para o Governo. Quem tem que dizer é o povo, se eu vou pro Senado ou pro Governo”.

Styvenson vinha afirmando que seria candidato à reeleição para o Senado, com foco na continuidade de seu trabalho na área da saúde, um de seus carros-chefes no mandato. Mas agora abre espaço para discutir uma nova posição no tabuleiro.

Embora Marinho tenha pré-candidatura oficializada, o senador ainda pode mudar de rota, caso consolide articulações em chapa nacional do PL, ou opte por permanecer no Senado.

Styvenson também comentou nomes com quem poderia compor chapa ao legislativo, caso seja candidato à reeleição. Segundo ele, Nina Souza, Álvaro Dias ou Babá Pereira são nomes possíveis.

“Tenho afeto, por exemplo, por Nina. Não vou mentir. Tenho amizade pessoal com ela. A gente se emocionou em projeto da Zona Norte. Tem o Álvaro [Dias, ex-prefeito de Natal] que mostrou durante a campanha, junto com Paulinho Freire, que está com a gente. Tem Babá [Pereira], que venceu uma eleição dura contra o Governo do Estado para a Femurn. Tem tanta gente boa…”, complementou ele.

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