21 de janeiro de 2026

Entre 2024 e 2026: a pré-candidatura de Álvaro Dias expõe a demora da Justiça Eleitoral

Autor: Daniel Menezes

Depois de tudo o que foi apontado em investigações oficiais sobre a atuação política de Álvaro Dias no pleito de 2024 em Natal, o anúncio de sua pré-candidatura ao Governo do Rio Grande do Norte em 2026 produz um ruído institucional difícil de ignorar. Não se trata de atribuir culpa ou antecipar julgamentos que cabem exclusivamente à Justiça. O ponto central é o contexto: há um processo por abuso de poder eleitoral em tramitação, decorrente daquele pleito, que permanece sem qualquer decisão após cerca de um ano — um intervalo atípico para a Justiça Eleitoral.

O desconforto aumenta quando se observa que o Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte já cassou mandatos de ao menos dez prefeitos eleitos em 2024 por irregularidades eleitorais. Em contraste, a ação que envolve Álvaro Dias, Paulinho Freire, Joana Guerra e outros segue na primeira instância, sem sentença, e sob segredo de justiça. Embora o sigilo seja juridicamente possível, sua aplicação em casos de interesse público amplo — como crimes eleitorais — inevitavelmente suscita questionamentos e amplia a sensação de assimetria institucional.

O problema político, portanto, não é a existência do processo, mas sua paralisia. A falta de uma decisão clara — seja ela absolutória ou condenatória — cria um vácuo que interfere no debate democrático e alimenta a desconfiança pública. Não é acusação; é constatação. Quando a Justiça demora, o silêncio passa a produzir efeitos políticos próprios. E, nesse cenário, a pré-candidatura de Álvaro Dias em 2026 deixa de ser apenas um movimento eleitoral para se tornar um símbolo de como a lentidão institucional pode falar mais alto do que qualquer discurso.

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