21 de janeiro de 2026
Banco Central decreta liquidação extrajudicial do Will Bank
Autor: Daniel Menezes
O Banco Central (BC) decretou nesta quarta-feira (21) a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, conhecida como Will Bank, instituição que integra o conglomerado do Banco Master.
O Will Bank estava operando sob Regime Especial de Administração Temporária (Raet), mecanismo adotado quando o Banco Central assume o controle da instituição para tentar evitar o agravamento da crise e reduzir riscos ao sistema financeiro. O regime foi instaurado após a liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada em novembro de 2025.
Em nota, o Banco Central informou que a decisão foi motivada pelo comprometimento da situação econômica do Will Bank e pela incapacidade da instituição de honrar suas obrigações financeiras. Segundo o BC, essa condição decorre do vínculo de interesse com o Banco Master, caracterizado pelo exercício de poder da instituição já liquidada sobre o Will.
De acordo com apuração do mercado, o Will Bank permaneceu sob administração temporária na tentativa de viabilizar a venda da instituição a um novo investidor. As negociações, no entanto, não foram concluídas, o que contribuiu para o agravamento da situação financeira.
Nesta terça-feira (20), a Mastercard anunciou a suspensão da aceitação de cartões emitidos pelo Will Bank após o não pagamento de compromissos financeiros. Com a perda da possibilidade de venda e o acúmulo de dívidas, o Banco Central avaliou que a continuidade das operações se tornou inviável.
A liquidação extrajudicial é um procedimento administrativo que determina o encerramento das atividades de uma instituição financeira sem a necessidade de processo judicial, prevendo a organização do pagamento dos credores conforme a legislação vigente. O Will Bank reúne cerca de R$ 7 bilhões em passivos e aproximadamente R$ 8 bilhões em transações correntes com a bandeira.
Caso Banco Master
O Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, teve a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em dezembro de 2025. A instituição enfrentava dificuldades financeiras relacionadas ao alto custo de captação e à exposição significativa a investimentos considerados de risco.
Segundo apuração da TV Globo, Maurício Antônio Quadrado, ligado ao Will Bank, foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal na última quarta-feira (14). De acordo com fontes da investigação, ele seria sócio oculto de Daniel Vorcaro.
Tentativas de venda do Banco Master, incluindo uma proposta apresentada pelo BRB, não avançaram diante de questionamentos de órgãos de controle, falta de transparência e citações da instituição em investigações. O cenário gerou alerta no mercado após o banco passar a oferecer CDBs com rentabilidades acima do padrão praticado pelo setor.
Fonte: g1
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