20 de janeiro de 2026

Premiê diz que Groenlândia deve estar preparada para possível invasão dos EUA

Autor: Daniel Menezes

G1 - O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, pediu à população da ilha que comece a se preparar para uma invasão militar ao território.

Em uma entrevista coletiva à imprensa nesta terça (20), Nielsen disse que as autoridades do país também estão em preparação para uma eventual incursão militar dos Estados Unidos.

 

"O líder do outro lado (Donald Trump) deixou bem claro que essa possibilidade não está descartada. Portanto, devemos estar preparados para tudo", disse Nielsen.

 

Segundo a agência de notícias Bloomberg, o premiê afirmou que seu governo ordenou uma força-tarefa a autoridades locais que darão um guia à população sobre como se preparar para uma eventual invasão, como o estoque de comida em casa. Nielsen disse que seu governo está preparando também panfletos com guias sobre o que fazer em caso de uma incursão militar.

 

Embora tenha dito achar improvável um conflito militar, Nielsen disse também não descartar a possibilidade.

 

"Não é provável que haja um conflito militar, mas não podemos descartar essa possibilidade", declarou na entrevista coletiva. "Mas precisamos enfatizar que a Groenlândia faz parte da aliança ocidental, a Otan, e, se houver uma escalada ainda maior, isso também terá consequências para todo o mundo exterior".

 

Primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, durante coletiva nesta terça-feira (20) — Foto: Evgeniy Maloletka/AP

Primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, durante coletiva nesta terça-feira (20) — Foto: Evgeniy Maloletka/AP

Também nesta terça, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que "não há volta atrás" em seu objetivo de controlar a Groenlândia, recusando-se a descartar a possibilidade de tomar a ilha ártica pela força.

 

'Pior ainda está por vir'

 

Mais cedo, a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, afirmou que "o pior ainda está por vir", ao comentar a investida de Trump.

 

"É um capítulo sombrio no qual nos encontramos e podemos, infelizmente, estar em uma situação em que o pior não ficou para trás, mas ainda está à nossa frente", afirmou Frederiksen em discurso ao Parlamento dinamarquês.

 

A intenção de Trump de tomar a Groenlândia, atualmente sob o controle da Dinamarca, membro da Otan, ameaça desmantelar a aliança que tem sido a base da segurança ocidental por décadas.

O presidente norte-americano tem ameaçado anexar o território aos EUA desde que tomou posse para seu segundo mandato, há um ano. Segundo o republicano, o território é "vital" para o Domo de Ouro, escudo antimísseis que ele deseja construir para proteger o país.

Diante das ameaças, Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Holanda e Suécia começaram a enviar tropas para a Groenlândia a partir da última quinta-feira (15) e planejam exercícios militares na ilha.

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