19 de janeiro de 2026

Troca de ofensas escancara racha no bolsonarismo

Autor: Daniel Menezes

Metrópoles - O bolsonarista começou o ano eleitoral em rota de tensão: atritos entre aliados de Jair Bolsonaro (PL) se tornaram públicos e evidenciaram divergências e disputas políticas. Na mesma semana em que o ex-presidente foi transferido para a Papudinha, nomes importantes do campo protagonizaram brigas públicas com direito a troca de ofensas.

Personagens como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, Allan dos Santos, pastor Silas Malafaia e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) assumiram o protagonismo da semana com desavenças públicas e trocas de ofensa.

O desentendimento entre dois nomes importantes da ala evangélica ganhou as redes sociais. Malafaia cobrou publicamente um posicionamento de Damares após ela afirmar, no domingo (11/1), que “grandes igrejas” estariam envolvidas no esquema de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

O pastor alfinetou a senadora e afirmou que, sem a divulgação dos nomes envolvidos, ela não passa de uma “leviana linguaruda”.

Em resposta a Malafaia, a parlamentar divulgou que os documentos em relação às igrejas são públicos e citou listas e pastores envolvidos, entre eles o pastor André Valadão. Depois da lista divulgada, Malafaia disse que a senadora queria ter “vantagem política” do caso.

 

Michelle no foco dos embates

ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro esteve envolta em duas polêmicas, nos últimos dias. A mais recente — revelada pelo Metrópolesna coluna do Igor Gadelha, foi o encontro entre ela e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na manhã de quinta-feira (15/1).

No encontro, Michelle fez um apelo para que Bolsonaro fosse transferido da Superintendência da Polícia Federal (PF) para a prisão domiciliar. Moraes, porém, não atendeu a esse pedido. Horas depois da reunião, o ministro determinou a transferência de Bolsonaro para a Papudinha.

A reunião entre Michelle e Moraes tornou-se alvo de críticas de bolsonaristas. O vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) — que tem uma antiga rusga com a madrasta — fez publicação nas redes sociais, na tarde de sexta-feira (16/1), interpretada como uma indireta.

Sem citar o nomes, Carlos diz que tem a “convicção absoluta” de que o objetivo não é “medir forças com os filhos de Jair Bolsonaro”, mas com o próprio ex-presidente.

“Essa percepção não é nova para mim. O que mudou foi o grau de exposição: aquilo que antes se insinuava nos bastidores agora se revela com fatos escancarados, sucessivos e cada vez mais difíceis de esconder. Os movimentos são claros, a estratégia é reiterada e o alvo nunca deixou de ser o mesmo”, escreveu o vereador. Confira a postagem:

Antes disso, Michelle trocou ofensas com o blogueiro bolsonarista Allan dos Santos. O estopim foi a curtida de Michelle em um comentário feito por Cristiane Freitas, esposa do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), em uma publicação nas redes sociais. Cristiane afirmou que o “Brasil precisa de um novo CEO”.

O blogueiro bolsonarista sugeriu que a líder do PL Mulher estaria sinalizando apoio a Tarcísio para a Presidência da República. Em resposta, a esposa de Bolsonaro publicou carta rebatendo as acusações e afirmou que Allan não sabe o que ela e o marido conversam e tampouco conhece os planos do casal. Ela chegou a chamá-lo de “Allan dos demônios”.

“Esse tal de Allan não sabe o que eu e meu marido conversamos, não vive a nossa intimidade, não imagina o que estamos passando e, portanto, tudo o que ele fala sobre nós não passa de bravata, achismos e maledicências (na maioria das vezes, servindo como boneco de ventríloquo de canalhas) e, portanto, não merece a credibilidade das pessoas de direita.”

 

As intrigas entre membros do campo bolsonaristas ficaram mais evidentes à medida que a situação jurídica de Bolsonaro se complicava. Após a Primeira Turma do STF condenar o ex-presidente a mais de 27 anos de prisão por liderar tentativa de golpe de Estado, as brigas pelo espólio político e a liderança da direita tornaram-se mais públicas e recorrentes.


A complicação jurídica de Bolsonaro

  • Em 18 de julho, o ex-presidente colocou tornozeleira eletrônica e foi proibido de sair de casa à noite e aos fins de semana. Decisão foi tomada após a PF apontar articulação dele e do filho Eduardo Bolsonaro em ofensiva internacional contra a Justiça brasileira. O ex-presidente também ficou proibido de usar redes sociais;
  • Em 4 de agosto, Moraes determinou a prisão domiciliar de Bolsonaro, após o descumprimento de medidas cautelares, como uma ligação com Flávio Bolsonaro que foi reproduzida em um protesto;
  • Em 11 de setembro, 0 ex-presidente foi condenado na Primeira Turma do STF a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado;
  • Em 22 de novembro, Bolsonaro foi preso na PF depois de tentar destruir a tornozeleira eletrônica e, em 25 de novembro, após o trânsito em julgado de sua condenação, ele passou a cumprir o regime fechado dos 27 anos e 3 meses de condenação;
  • Na quinta (15/1), Moraes determinou a transferência de Bolsonaro para a Papudinha depois de a família reclamar da estrutura em que o ex-presidente estava preso.

Filhos envolvidos em brigas

Em novembro, Eduardo Bolsonaro (PL-SP) compartilhou postagem no X acusando o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) de querer “se livrar” do ex-presidente e de continuar sendo “eleito pelos bolsonaristas” sem precisar “prestar contas ao Bolsonaro”.

Essa não foi a primeira crítica de Eduardo ao correligionário, em julho do mesmo ano, durante uma conversa com Allan dos Santos, o deputado cassado afirmou ser “triste ver a que ponto o Nikolas chegou”, criticando interação dele com uma influencer que se diz ex-bolsonarista, conhecida como “Baianinha Intergaláctica”.

Em dezembro, 10 dias após a prisão de Bolsonaro na Superintendência da Polícia Federal, os rachas internos entre Michelle e os enteados se tornaram públicos. A tensão começou quando Michelle Bolsonaro criticou a aproximação do diretório do Partido Liberal no Ceará com Ciro Gomes (PSDB), durante evento partidário em Fortaleza (CE).

Após a declaração, os filhos de Bolsonaro reagiram. Ao Metrópolesna coluna do Igor Gadelha, Flávio Bolsonaro afirmou que a fala de Michelle foi “autoritária e constrangedora”.

Em seguida, Carlos e Eduardo embarcaram nas declarações do irmão e demonstraram descontentamento com a fala de Michelle.

A ex-primeira-dama reforçou posicionamento e afirmou que “jamais poderia concordar em ceder o meu apoio à candidatura de um homem que tanto mal causou” à família dela — em relação às críticas que Ciro Gomes já fez contra Bolsonaro.

Tarcísio x Bolsonarismo

Tarcísio de Freitas também segue como alvo de críticas bolsonaristas. O governador de São Paulo era um dos nomes mais cotados para a eleição presidencial de 2026, mas uma possível candidatura ficou mais distante após Bolsonaro indicar o filho mais velho, Flávio, para a corrida pelo Planalto.

Desde então, parlamentares da ala bolsonarista passaram a cobrar apoio mais explícito de Tarcísio ao nome de Flávio.

O descontentamento voltou a ficar aparente após a postagem polêmica da esposa do governador de SP pedindo por um “CEO para o Brasil”. Tarcísio foi cobrado por aliados e precisou se posicionar.

Ele afirmou que a postagem foi apenas um “desabafo” e pontuou que “Flávio é um grande nome” e é o candidato dele para as eleições.

Carlos chegou a ironizar as falas do governador, respondendo a uma publicação em que um internauta questiona quando Tarcísio vai confirmar esse apoio por meio de um vídeo nas redes sociais. O filho de Bolsonaro respondeu: “Será? Vai ver que é tudo coincidência”.

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