19 de janeiro de 2026

Gonet diz à CNN que combate a crime e fake news nas eleições são prioridade

Autor: Daniel Menezes

CNN - O procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou à CNN que a influência do crime organizado no processo eleitoral, o uso de ferramentas tecnológicas na disseminação de notícias falsas e a violência política são os principais desafios das eleições de outubro deste ano.

"Essas ameaças não atingem apenas candidatas e candidatos, mas comprometem a própria legitimidade das instituições democráticas. Diante desse cenário, a atuação do MP Eleitoral tem sido pautada por ações preventivas, coordenadas e firmes”, afirma.

 

Além de procurador-geral da República, Paulo Gonet exerce o cargo de procurador-geral eleitoral, atuando perante o TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Cabe a Gonet acompanhar as sessões e se manifestar em ações eleitorais. Ele é representado ao longo do ano no tribunal por Alexandre Espinosa, vice-procurador-geral Eleitoral.

Entre as ações preventivas elaboradas pelo MP Eleitoral no combate ao crime organizado está, por exemplo, a criação de um grupo de trabalho, no final de 2025, para dar suporte aos procuradores e promotores.

Esta equipe vai atuar em contato permanente com os Gaecos (Grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e os Núcleos de Inteligência dos Ministérios Públicos Federal, dos Estados e do Distrito Federal e Territórios.

Violência de gênero

Gonet estabeleceu ainda o enfretamento à violência política de gênero e medidas que garantam maior participação feminina na política como prioridades do MP Eleitoral neste ano.

 

"Orientação conjunta emitida pela Procuradoria-Geral Eleitoral e a Câmara Criminal do MPF prevê que investigações e processos judiciais relacionados a esses crimes sejam priorizados, para assegurar a responsabilização dos agressores e a proteção das vítimas”, diz o procurador-geral.

Outro grupo de trabalho criado por Gonet acompanha esses casos em todo o país e dialoga com partidos e outras instituições para prevenir e coibir a prática. "A parceria prevê mecanismos de prevenção, acolhimento, acompanhamento e resposta aos casos de violência política contra as mulheres”, diz Gonet.

O procurador-geral ressalta que o MP Eleitoral fiscaliza o cumprimento da cota de gênero nas eleições e atua em todas as instâncias da Justiça para coibir as fraudes.

O desafio da tecnologia

Gonet destaca ainda a atenção que o uso de ferramentas tecnológicas na disseminação de notícias falsas vai exigir do MP Eleitoral. As eleições municipais de 2024 foram as primeiras no Brasil a terem regras voltadas ao uso de inteligência artificial, o que deve se repetir nas disputas deste ano.

 

“Também temos investido no desenvolvimento de ferramentas tecnológicas para auxiliar os procuradores e promotores na identificação de irregularidades, bem como na preservação de provas digitais”, afirma o procurador-geral.

“Estou certo de que os desafios das eleições de 2026 nos encontrarão com a mesma disposição cívica e o mesmo afinco resoluto que a democracia nos exige em ano eleitoral. O Ministério Público seguirá vigilante e comprometido para que a vontade do eleitor prevaleça e para que a democracia brasileira saia, mais uma vez, fortalecida”, diz.

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