17 de janeiro de 2026
Prestes a entrar no PL, Carla Dickson diz que Tarcísio seria melhor opção para presidente
Autor: Daniel Menezes
AGORA RN
Prestes a trocar o União Brasil pelo PL, a deputada federal Carla Dickson afirmou nesta sexta-feira 16 que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), seria uma opção melhor na direita para disputar a Presidência da República. Apesar de seu futuro partido ter um pré-candidato anunciado – Flávio Bolsonaro –, Carla disse que Tarcísio representaria, em sua avaliação dela, um nome de consenso capaz de oferecer maior equilíbrio político ao País.
Em entrevista à rádio Mix FM, a parlamentar potiguar afirmou que “tomou um susto” quando foi informada de que o ex-presidente Jair Bolsonaro havia escolhido seu filho Flávio Bolsonaro, atual senador pelo Rio de Janeiro, como candidato. “Eu pensei que ia ser o Tarcísio. Um homem de consenso, aquela coisa toda”, afirmou.

Deputada Carla Dickson criticou clima permanente de embate e avaliou que isso empobrece o debate democrático - Foto: Bruno Spada/Câmara
Para a deputada, uma candidatura com o perfil do governador de São Paulo poderia contribuir para reduzir tensões no ambiente político. “Para mim, seria a melhor opção também. Eu tenho que ser muito sincera. Porque seria o equilíbrio que o Brasil precisa”, completou.
Apesar da preferência pessoal, Carla Dickson afirmou que buscou compreender o processo de definição interna do grupo político. Ela relatou que participou de uma reunião em Brasília com deputados federais de direita e destacou a postura adotada pelo nome escolhido.
“Eu fui escutar ele. Ele passou quase 40 minutos conversando com a gente, explicando como se deu essa escolha, o que ele gostaria de fazer. Pediu ajuda. Eu vi humildade naquele rapaz”, disse. Segundo a parlamentar, a conversa ajudou a esclarecer dúvidas iniciais e apresentou uma abordagem diferente da que ela imaginava.
Na entrevista, Carla Dickson também refletiu sobre o ambiente político nacional e a intensa polarização ideológica. Para ela, o debate público segue excessivamente concentrado em nomes e disputas personalistas, em detrimento de projetos e propostas. “A gente tem que parar com essa história de nomes. O problema são nomes”, afirmou, ao defender maior disposição para o diálogo e a escuta do contraditório. “É você aceitar o contraditório”, resumiu, ao comparar o que considera essencial tanto na política quanto em outros espaços institucionais.
A deputada criticou o clima permanente de embate entre campos opostos e avaliou que isso empobrece o debate democrático. “Lula vive no palanque político. Bolsonaro vive no palanque político”, disse, ao comentar que a política nacional permanece em campanha constante. Para Carla Dickson, esse cenário dificulta a construção de consensos mínimos e aprofunda a radicalização do discurso.
Outro ponto abordado foi a relação entre os Poderes da República e o papel das instituições. Carla Dickson fez críticas ao que classifica como excessos e interferências indevidas, ressaltando a necessidade de respeito aos limites institucionais. Ao mesmo tempo, afirmou que erros cometidos por governos de diferentes espectros ideológicos devem ser reconhecidos. “Está errado também. Eu não estou passando a mão na cabeça, não”, disse, ao comentar episódios envolvendo a condução da Polícia Federal no Governo Bolsonaro.
Deputada confirma mudança para o PL: “Não tem volta”
No plano partidário, a deputada confirmou que está de saída do União Brasil e que pretende se filiar ao PL. Segundo ela, a mudança está relacionada à busca por maior liberdade de atuação no plenário da Câmara dos Deputados. “Está confirmada, não tem volta. Eu estou no PL, independentemente de quem venha, porque ali eu consigo ter a minha liberdade de expressão e de colocar aquilo que eu acredito”, afirmou.
Carla Dickson explicou que, em partidos de perfil mais centrista, como o União Brasil, a orientação das lideranças frequentemente entra em conflito com suas convicções. “Na hora que a gente vai votar, vem a ordem do líder do partido. União Brasil vota sim. Não concordo (às vezes)”, relatou. Segundo ela, votar de forma divergente gera desgastes internos. “Quando você vota não, você vota contra o partido, aí começam algumas coisinhas aqui, outras coisinhas ali”, acrescentou.
Sobre o PL, a parlamentar disse perceber uma dinâmica diferente, com maior margem para diálogo interno. Ela afirmou que, em algumas situações, conversa diretamente com a liderança para justificar seu posicionamento. “Líder, eu vou votar a favor, beleza? ‘Beleza, Carlinha, fica tranquila. Esse projeto está tranquilo’”, contou, ao exemplificar o que considera uma relação mais aberta dentro da legenda.
A deputada também comentou sobre o uso instrumental dos partidos por candidatos que, segundo ela, se valem da legenda apenas para conquistar mandato. “Tem muita gente que usa o PL para se eleger. Muita gente, inclusive aqui no Rio Grande do Norte. Usou o PL para se eleger e, quando chega lá, depois que conseguiu o que queria, faz acordo com o governo, vota por emenda e bagunça tudo”, afirmou, ao criticar práticas que considera incoerentes com o discurso ideológico apresentado durante as campanhas.
Durante a entrevista, Carla Dickson avaliou ainda o papel do Centrão na política nacional. Embora reconheça críticas frequentes ao grupo, disse que, na prática, ele tem sido decisivo para a governabilidade. Para a parlamentar, o funcionamento do Congresso passa, inevitavelmente, por articulações políticas, o que exige habilidade de diálogo e negociação.
“Passei um ano no seco, sem acesso a emendas”, afirma parlamentar
Ao fazer um balanço do mandato, Carla Dickson explicou que assumiu a cadeira na Câmara dos Deputados apenas em janeiro do ano passado, após a renúncia do então deputado Paulinho Freire – hoje prefeito de Natal, e que enfrentou dificuldades iniciais relacionadas ao acesso a emendas parlamentares.
“Foi um ano que eu passei no seco, no sentido que eu não tive acesso a emendas”, relatou. Segundo ela, a situação foi agravada pela troca de partido. “Aquilo que vinha para mim o partido tirou. Então, aí que eu fiquei mais no seco ainda”, disse.
A deputada destacou que as emendas apresentadas anteriormente só começam a ser executadas agora, em razão do calendário orçamentário. “Pela lei, as emendas que eu coloquei na LOA, na Lei Orçamentária Anual, ano passado, vão começar a correr esse ano”, explicou. Ela afirmou que, até então, muitas ações do mandato foram viabilizadas com recursos próprios.
Entre as pautas que apontou como prioritárias, Carla Dickson citou a causa autista, com destaque para iniciativas voltadas ao acolhimento de mães atípicas. Segundo ela, foram desenvolvidos projetos como salas sensoriais e atividades terapêuticas em grupo. “Nós fizemos muita coisa. Tudo com recurso próprio”, afirmou.
A deputada também rebateu críticas sobre promessas não cumpridas e ironizou a atenção que recebe de adversários e críticos. “As pessoas estão tão preocupadas com a minha vida. E eu acho isso ótimo, porque a mídia é gratuita”, disse. Em tom irônico, completou: “E os haters me ajudam a crescer”.
Ao final da entrevista, Carla Dickson afirmou que segue observando atentamente o cenário político, tanto no plano nacional quanto dentro do próprio campo conservador. “Eu estou observando”, resumiu. Para ela, o ano eleitoral tende a acentuar disputas internas e redefinir alianças, exigindo cautela e estratégia dos atores políticos.
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