16 de janeiro de 2026
Governo do RN diz que investimentos em 2025 tiveram o 3º maior valor em 16 anos
Autor: Daniel Menezes
DO AGORA RN - O Governo do Rio Grande do Norte admitiu, nesta quinta-feira 15, que os investimentos caíram no ano de 2025 em relação a 2024. Apesar disso, a gestão estadual enfatizou que o valor de investimentos no ano passado foi o terceiro maior dos últimos 16 anos, ficando atrás apenas dos valores de 2022 e 2024.
Em nota, a Secretaria Estadual de Planejamento, Orçamento e Gestão (Seplan) registrou que os investimentos realizados em 2025 ficaram em “patamar relevante”. A gestão estadual observa que a retração verificada entre 2024 e 2025 ocorreu porque o resultado do ano anterior havia sido “excepcional”, fora da média anual recente.

Gestão estadual destaca que retração verificada entre 2024 e 2025 ocorreu porque o resultado do ano anterior havia sido “excepcional” - Foto: José Aldenir/Agora RN
Uma reportagem publicada na última quarta-feira 14 pelo AGORA RN, com base em um estudo do jornal Valor Econômico, mostrou que, entre janeiro e outubro de 2025, o RN realizou R$ 370 milhões em investimentos, um queda de 40,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Os dados de 2025 são da Secretaria de Tesouro Nacional (STN), com base em relatórios oficiais dos estados. Os números do ano passado ainda não estão totalmente fechados porque os estados têm até o fim deste mês para divulgar oficialmente os números do último bimestre do ano (novembro e dezembro de 2025).
No setor público, investimento são despesas que ampliam o patrimônio e a capacidade de oferta do governo, como obras, construções, aquisição de máquinas e equipamentos, gerando benefícios futuros. Diferencia-se do custeio, cobre as despesas diárias e a manutenção da máquina administrativa (salários, materiais de consumo e serviços).
De acordo com a Seplan, os dados que serão divulgados no fim deste mês mostrarão que os investimentos encerraram 2025 no patamar de R$ 605 milhões. Com isso, “o Estado alcançou o terceiro maior volume anual de investimentos dos últimos 16 anos (desde 2010), ficando atrás apenas dos exercícios de 2022 e 2024”, enfatiza a secretaria.
“O relatório oficial com os dados consolidados será publicado até o dia 31 de janeiro, pela Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz), por meio da Contabilidade Geral, o que assegura a fidedignidade e a completude das informações utilizadas”, destaca o governo.
O governo destaca que, em 2024, o Estado recebeu “recursos extraordinários” provenientes da adesão ao Plano de Promoção do Equilíbrio Fiscal (PEF). Com a operação, o RN conseguiu um empréstimo com aval da União de R$ 427 milhões junto ao Banco do Brasil, e o dinheiro foi aplicado na recuperação de estradas. Em 2025, o Estado saiu do PEF por não atender a regras do programa, como não ter conseguido reduzir sua despesa com pessoal.
O governo, porém, declara que conseguiu manter investimentos mesmo sem o PEF, citando as despesas realizadas ao longo de todo o ano. “Já em 2025, mesmo sem o recebimento de novos recursos do Programa de Equilíbrio Fiscal, o Estado do Rio Grande do Norte conseguiu realizar investimentos da ordem de R$ 605 milhões, evidenciando esforço fiscal, priorizando a recuperação das estradas. e capacidade de manutenção de um patamar relevante de investimentos, mesmo em um cenário de restrições orçamentárias”, destaca a pasta.

Governo do RN diz que investimentos em 2025 tiveram o 3º maior valor em 16 anos
Queda nos investimentos do RN foi a maior do País até outubro de 2025
Considerando o período entre janeiro e outubro, de todos os 27 governos estaduais, o Governo do Rio Grande do Norte foi o que mais reduziu seus investimentos em 2025. Segundo os dados oficiais, a queda nos investimentos do RN foi de 40,8% de janeiro a outubro de 2025, em relação ao mesmo período do ano anterior.
O valor investido até outubro (R$ 370 milhões) foi o terceiro menor entre os 27 governos estaduais, à frente apenas de Rondônia (R$ 350 milhões) e Roraima (R$ 170 milhões) – a população do Rio Grande do Norte é maior que a dos dois estados somados.
O Estado ficou na contramão do restante do País. Isso porque os investimentos subiram em 16 estados e no Distrito Federal. Em 13 deles, o aumento foi superior a 10%, sendo que a taxa superou 30% reais em nove desses entes: Goiás, Rio Grande do Sul, Amapá, Sergipe, Paraná, Maranhão, Acre, Paraíba e Pernambuco.
No Nordeste, apenas dois estados tiveram queda nos investimentos. Além do RN, o outro estado com redução foi a Bahia, com queda de 6,1%. Ainda assim, o governo baiano investiu R$ 5,47 bilhões no período analisado. Estado com população equivalente à do RN, mas com PIB menor, a Paraíba teve investimento de quase R$ 1,8 bilhão de janeiro a outubro de 2025 – quase cinco vezes mais que o estado potiguar.
RN perdeu PEF em 2025 por não atender metas fiscais
Um dos fatores que contribuíram para a queda nos investimentos em 2025 foi a saída do Rio Grande do Norte do Programa de Promoção do Equilíbrio Fiscal (PEF). Em 2024, com base no programa, o Estado conseguiu um empréstimo de R$ 427 milhões junto ao Banco do Brasil, e o dinheiro foi aplicado na recuperação de estradas.
No ano passado, a expectativa era de uma nova operação de crédito para outros investimentos, mas o Tesouro Nacional não deu aval à transação, sob a alegação de que o governo potiguar não conseguiu cumprir uma meta fiscal – a redução da despesa com pessoal.
Através do PEF, estados e municípios com situação fiscal desfavorável podem buscar empréstimos junto a instituições financeiras com aval da União. Em troca, porém, devem cumprir metas fiscais, sob pena de saída do programa.
Em novembro de 2025, o Governo do RN e o Governo Federal fecharam um acordo para que o Estado volte ao PEF. A retomada vai permitir ao Estado buscar R$ 855 milhões em novos empréstimos. O acordo foi homologado pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Com a volta ao PEF, a gestão estadual se comprometeu a adotar medidas de equilíbrio fiscal. Com o aval, a União vira uma espécie de “fiadora”: ou seja, o Tesouro Nacional arca com as despesas do empréstimo caso o Estado não consiga honrar as parcelas.
Se o Estado cumprir as metas, além dos R$ 855 milhões, poderá captar mais cerca de R$ 430 milhões em uma segunda etapa. Portanto, o acordo permitirá um financiamento total de quase R$ 1,3 bilhão.
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