14 de janeiro de 2026

Família de jovem morta após erro em UPA fará protesto para cobrar justiça

Autor: Daniel Menezes

Do AGORA RN

A família de Gabriely Barbosa de Melo, de 19 anos, que morreu após receber uma medicação errada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Potengi, na zona Norte de Natal, anunciou a realização de um protesto na próxima quinta-feira 15, a partir das 9h, em frente à unidade de saúde onde ocorreu o atendimento. A jovem faleceu no último dia 5, depois de permanecer internada por 19 dias, em consequência de complicações graves provocadas pelo erro na administração do medicamento.

Segundo a mãe da estudante, Aline Nascimento, a manifestação busca cobrar esclarecimentos das autoridades e denunciar o que a família considera falta de informações e de acolhimento após a morte da jovem. Ela afirmou que só concederá entrevistas no local do protesto, mas adiantou que a família enfrenta um cenário de incerteza. “Ninguém tem a menor ideia do que está acontecendo em relação ao tratamento dado à família depois da morte da minha filha”, disse.

Família de jovem morta após erro em UPA fará protesto para cobrar justiça

Jovem procurou UPA com quadro gripal e recebeu potente relaxante muscular na veia - Foto: José Aldenir/Agora RN

Gabriely morreu em um leito do Hospital Rio Grande, onde estava internada em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Natal, a causa do óbito foi “choque decorrente de infecção severa” (sepse), condição associada a uma resposta inflamatória grave do organismo a uma infecção.

Em nota oficial, a SMS afirmou que garante “apoio integral à família, como ocorreu desde o primeiro dia”, e informou que uma sindicância administrativa foi instaurada e encontra-se em fase de instrução, com coleta de depoimentos e análise de relatórios técnicos e administrativos. Segundo a pasta, somente após a conclusão dessa apuração será deliberada, de forma fundamentada, a eventual abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD), conforme a legislação vigente.

A secretaria informou ainda que dois servidores diretamente envolvidos no atendimento foram afastados cautelarmente de suas atividades assistenciais. Com o avanço das investigações, outros profissionais poderão ser convocados para prestar esclarecimentos. O afastamento, segundo a SMS, permanecerá pelo tempo necessário à apuração dos fatos. A eventual existência de falhas em protocolos assistenciais ou de segurança do paciente também integra o objeto da sindicância, que ainda não tem conclusão administrativa.

Entenda o caso

Gabriely Barbosa de Melo procurou a UPA Potengi no dia 17 de dezembro relatando sintomas de gripe persistente havia cerca de 30 dias, incluindo tosse contínua. Após avaliação, a médica de plantão prescreveu um expectorante e o corticoide succinato sódico de hidrocortisona, medicamento indicado para reduzir inflamações e aliviar sintomas respiratórios.

O erro ocorreu após a consulta médica. Na sala de medicação, a jovem recebeu por via intravenosa três ampolas de succinilcolina, um potente relaxante muscular de ação ultrarrápida, utilizado em ambientes hospitalares para anestesiar pacientes e facilitar procedimentos como intubação traqueal e cirurgias. A substância não é indicada para tratamento de quadros gripais.

Segundo apuração do portal AGORA RN, a falha teve origem na farmácia da UPA, onde um profissional teria entregado a medicação incorreta. A técnica de enfermagem responsável pela administração também não teria realizado a conferência adequada antes da aplicação.

Pouco tempo após receber a injeção, Gabriely apresentou sinais de anestesia e sofreu uma parada cardíaca. Ela foi reanimada por cerca de 20 minutos, teve os sinais vitais restabelecidos e foi intubada. Horas depois, foi transferida para a UTI do Hospital Rio Grande, onde permaneceu internada até a morte.

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