14 de janeiro de 2026

ANÁLISE: com Lula à frente, 1ª pesquisa Quaest do ano eleitoral aponta trunfos e desafios para Flávio Bolsonaro e Tarcísio

Autor: Daniel Menezes

G1 - A pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (14), a primeira de 2026, mostra que o presidente Lula (PT) segue à frente em todos os cenários de 1º turno da disputa presidencial e que a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) ganhou força no último mês.

Em paralelo, nas simulações de 2º turno, o candidato que está mais perto de Lula é Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Os números apontam trunfos e desafios para Flávio e Tarcísio, os dois nomes mais competitivos da oposição. A avaliação é de Felipe Nunes, diretor da Quaest.

Em relação a Flávio, Nunes considera que há a consolidação de seu nome como segundo colocado nos cenários de 1º turno.

 

"Os dados da pesquisa sugerem que a força de arrancada que Flávio adquiriu no último mês não é só fruto do apoio de bolsonaristas, mas também da direita não bolsonarista, que começa a considerar a possibilidade de votar nele, mesmo diante de outros nomes", diz.

 

"Nesse segmento, Flávio já aparece com quase 50% das intenções de voto, contra 16% de Tarcísio e 10% de Ratinho no cenário com todos os candidatos", complementa.

A pesquisa mostra também que mais pessoas acreditam que a candidatura de Flávio é para valer. Em dezembro, 49% achavam que o senador vai até o fim na corrida presidencial. Agora, são 54%.

"Essa visão está se consolidando em quase todos os segmentos. Entre bolsonaristas, a crença de que Flávio será o candidato chegou a 83%. Na direita, foi a 75%. Entre os independentes, passou para 49% e, na esquerda, são 44% que acreditam que ele vá até o fim", afirma o diretor da Quaest.

O que também sugere a manutenção de Flávio na disputa, afirma Nunes, é o aumento no percentual de brasileiros que acreditam que o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso, tomou a decisão certa ao escolher o filho 01: saiu de 36% para 43%. "Bolsonaristas já estão convencidos da decisão, e 87% dizem que foi a escolha certa."

Governador de SP, Tarcísio de Freitas, e o senador Flávio Bolsonaro — Foto: Reprodução/Twitter

Governador de SP, Tarcísio de Freitas, e o senador Flávio Bolsonaro — Foto: Reprodução/Twitter

 

2º turno: Tarcísio tem menor distância para Lula

 

Em relação ao 2º turno, caiu pela metade a vantagem de Lula contra Tarcísio, governador de São Paulo. Eram dez pontos na pesquisa de dezembro (45% a 35%) e agora são cinco (44% a 39%).

"O grande trunfo do governador de São Paulo seria o apoio crescente da direita bolsonarista no cenário contra Lula. Seu desafio seria conseguir convencer os eleitores independentes e bolsonaristas a aderirem ao seu projeto presidencial, em um caso de desistência de Flávio", avalia Felipe Nunes.

O que também pode ajudar Tarcísio e outros governadores da direita, na visão de Nunes, é a percepção pública de que, para ter mais chances de vencer, a oposição precisa lançar um nome que não seja bolsonarista.

"Se for uma disputa de alguém da família Bolsonaro, a população acredita que Lula vencerá com facilidade. Mas, se a oposição lançar um nome não bolsonarista, a população acredita que vai ser uma eleição mais competitiva", afirma.

No cenário de 2º turno que opõe Lula e Flávio, a vantagem do presidente era de dez pontos e agora é de sete. "Além de conseguir ganhar espaço na opinião pública, Flávio viu seu desempenho eleitoral oscilar positivamente no último mês", diz Nunes.

O desafio para Flávio, neste caso, é conquistar o eleitorado independente. "A melhora marginal no desempenho de Flávio aconteceu especialmente nos dois segmentos mais à direita. O eleitor independente, decisivo na eleição, ainda prefere votar em Lula contra Flávio", afirma o diretor da Quaest. "Para tornar sua campanha mais competitiva, Flávio tem o desafio de diminuir sua rejeição."

Nunes considera que Lula se beneficia caso seja mantida a candidatura de Flávio.

 

"Se o cenário com Flávio se consolidar até abril, Lula tende a disputar a terceira eleição polarizada contra alguém da família. A seu favor, o sentimento de 46% da população que tem medo da família Bolsonaro voltar ao poder, contra 40% que tem medo da continuidade de Lula na presidência", diz o diretor da Quaest.

 

No entanto, a maioria (56%) continua achando que Lula não merece mais um mandado como presidente. "Ou seja, Lula vence em todos os cenários de intenção de voto, mas não parece empolgar a maioria da população brasileira", diz Nunes.

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