13 de janeiro de 2026
PT não vai permitir que Estado fique “à deriva”, diz Samanda Alves
Autor: Daniel Menezes
AGORA RN - A presidente do PT no Rio Grande do Norte, Samanda Alves, afirmou que o partido não permitirá que o Estado fique “à deriva”, diante da possibilidade de uma dupla vacância no comando do Governo do Estado, após as renúncias da governadora Fátima Bezerra (PT) e do vice Walter Alves (MDB).
“Eu quero tranquilizar o povo do Rio Grande do Norte e dizer que o PT tem responsabilidade. A gente não vai deixar o Rio Grande do Norte à deriva em nenhuma aventura”, afirmou Samanda, em entrevista ao programa Cenário Político, da TCM.

Vereadora de Natal Samanda Alves, presidente estadual do PT no RN - Foto: José Aldenir/Agora RN
Questionada sobre o fato de o vice-governador já ter confirmado à imprensa que não pretende assumir o governo, Samanda disse que, até agora, Walter Alves não comunicou oficialmente ao PT sobre sua decisão. Para ela, o caminho natural após a renúncia de Fátima seria a posse do vice. “É ilegítimo, não é natural. Quando ele foi eleito vice-governador, a gente tinha a expectativa de que ele, na ausência da governadora – que também tem a legitimidade de ser candidata ao Senado Federal –, assumisse o governo”, afirmou.
Fátima Bezerra tem reafirmado que pretende disputar o Senado nas eleições deste ano. Para isso, ela precisa renunciar ao mandato de governadora até 4 de abril. Já o vice Walter Alves confirmou na semana passada que pretende ser candidato a deputado estadual – logo, também não poderá ficar no governo. A lei prevê que, nesse caso, o Estado teria de realizar eleição indireta para escolha de um governador e um vice para encerrar o mandato até o fim (5 de janeiro de 2027).
Samanda, que é vereadora de Natal, ressaltou que a discussão no PT sobre um eventual mandato tampão só deve ocorrer caso o vice formalize a decisão de não assumir. “A partir do momento que ele informar que não irá assumir, coisa que ele não fez ainda de forma direta à governadora, a gente tem uma discussão que vai acontecer naturalmente, que é do mandato dos oito meses de quem vai assumir o governo do Estado”, disse. Ela reforçou que o partido não tomará decisões precipitadas e atuará para preservar a estabilidade política e administrativa do Rio Grande do Norte.
A presidente do PT também fez questão de defender a legitimidade da governadora Fátima Bezerra em deixar o cargo para disputar o Senado. Segundo ela, trata-se de um movimento coerente com a trajetória política da chefe do Executivo estadual. “É legítimo que Fátima volte para o Senado, fez muito bem para o Rio Grande do Norte quando ela foi senadora e deputada federal”, disse. A vereadora lembrou que Fátima abriu mão de um mandato no Senado em 2018 para disputar o Governo do Estado em um momento crítico das finanças e da segurança pública. “Ela poderia muito bem ter continuado no Senado. Abriu mão para vir assumir o governo do Rio Grande do Norte no pior momento do Estado”, afirmou.
Na avaliação de Samanda, isso demonstra que não se trata de um projeto pessoal, mas de um projeto coletivo. “Isso mostra que a gente não tem projeto individual, não é o projeto de Fátima que vai deixar o governo para ser senadora, porque ela tem vontade, por essa razão por si só, mas é dentro de um projeto político de sociedade”, declarou.
Durante a entrevista, Samanda também abordou a relação do PT com o MDB, partido do vice-governador Walter Alves, e disse que, do ponto de vista político, a parceria segue baseada no alinhamento nacional. “Walter Alves tornou-se vice-governador do Rio Grande do Norte a pedido do presidente Lula, que atendeu a um pedido do MDB nacional”, afirmou.
Para ela, é fundamental que o vice mantenha a posição no campo progressista. “A gente espera que o vice-governador continue onde o povo do Rio Grande do Norte o colocou, como vice-governador eleito pelo campo progressista no time do Lula, em qualquer situação”, disse.
Pré-candidaturas de Fátima Bezerra e Cadu Xavier mantidas
A presidente do PT também comentou sobre as perspectivas eleitorais para 2026 e disse acreditar no crescimento do pré-candidato Cadu Xavier, atual secretário de Fazenda, ao Governo do Estado. Segundo Samanda, a identificação com o presidente Lula tende a impulsionar a candidatura. “Quando as pessoas identificam que ele é o candidato, é o único candidato de Lula aqui no RN, vai crescer”, disse.
Ela lembrou ainda que o eleitorado potiguar mantém forte relação com o presidente. “As pesquisas mostram que 65% do eleitorado do RN vota no candidato indicado pelo presidente Lula”, afirmou. Para Samanda, isso cria um ambiente favorável para a candidatura de Cadu chegar ao segundo turno. “A gente sabe que, quando ele se apresentar, se entenderem que ele é o candidato de Lula, vai crescer e estará no segundo turno das eleições”, declarou.
No caso da disputa pelo Senado, Samanda ressaltou que se trata de uma eleição com características próprias, já que o eleitor vota duas vezes. “É um voto diferente. É uma eleição em que as pessoas vão votar duas vezes para senador”, disse. Para ela, é importante que o eleitor compreenda a lógica do voto alinhado. “É importante votar no presidente Lula e votar ali no Parlamento alinhado”, afirmou, citando as dificuldades enfrentadas pelo Executivo federal em um Congresso adverso.
Ao longo da entrevista, Samanda também rebateu críticas à situação fiscal do Estado e disse que o Rio Grande do Norte vive hoje um cenário muito diferente do passado recente. “Eu quero dizer que é uma situação muito diferente da situação que a governadora pegou o Estado há sete anos”, afirmou. Para ela, é incorreto afirmar que o Estado estaria ingovernável. “É falácia dizer que o Rio Grande do Norte está quebrado, que é um estado ingovernável”, disse.
Partido forma chapas para disputas de deputado federal e estadual
O debate sobre o futuro do governo estadual se insere em um contexto mais amplo de preparação do PT para as eleições de 2026. Samanda afirmou que o partido vem se organizando desde o ano passado, com debates e diálogos em todas as regiões do Estado. Segundo ela, o processo incluiu a eleição das novas direções partidárias.
Ela destacou ainda que o partido está em diálogo permanente com a militância e preparando as nominatas para as disputas proporcionais.
A dirigente petista avaliou como positiva a mobilização interna do partido para a formação da nominata de deputado federal, afirmando que há mais interessados do que vagas disponíveis. “Isso mostra o quanto a militância está animada e com disposição”, disse. Segundo Samanda, o cenário reflete a compreensão, por parte dos filiados, da importância de mudar a correlação de forças no Congresso Nacional. “Quando a gente olha para o Congresso Nacional, para o desenho que está colocado hoje, muitos colocam como o pior congresso da história do Brasil”, afirmou.
Ela destacou que, no Rio Grande do Norte, a maioria da bancada federal atua contra o governo Lula. “Aqui no Rio Grande do Norte, são oito deputados federais. Dos oito, são seis que trabalham contra o Lula e apenas dois deputados, a Natália Bonavides e o Fernando Mineiro, que estão ajudando o Lula”, disse.
Por isso, segundo ela, o PT pretende ampliar sua representação. “A gente se coloca essa posição como pré-candidata a deputada federal para a gente entregar para o Lula uma bancada do Rio Grande do Norte mais comprometida em ajudá-lo”, afirmou, ao tratar de sua própria pré-candidatura.
Samanda confirmou que está em pré-campanha para a Câmara Federal. “Estou me colocando, estou rodando todo o Estado, fazendo diálogos já como pré-candidata a deputada federal pelo meu partido”, declarou. Ela lembrou que disputou o cargo pela primeira vez na última eleição geral e ficou na primeira suplência. “Eu fui candidata pela primeira vez na última eleição geral para deputada federal, nunca tinha sido candidata, numa situação ainda de nome novo, desconhecido e fiquei na primeira suplência”, disse.
Além do alinhamento com o governo federal, Samanda afirmou que sua candidatura também busca representar Mossoró e a região Oeste, que hoje não contam com deputado federal. “Eu sou nascida e criada aqui em Mossoró e, pela primeira vez depois de décadas, Mossoró ficou sem uma representação na Câmara dos Deputados”, afirmou. Segundo ela, a ausência de representantes prejudica o desenvolvimento regional. “Eu também me coloco como mossoroense, que tenho familiares aqui por todo o Médio e Alto Oeste, também olhando para esse prejuízo que Mossoró tem tido, que é de não ter uma representação nossa na Câmara dos Deputados”, completou.
[0] Comentários | Deixe seu comentário.