13 de janeiro de 2026
O último lance é de Fátima — mas o risco de um Estado à deriva exige cautela
Autor: Daniel Menezes
Ao manter sua pré-candidatura ao Senado mesmo após o vice Walter Alves afirmar que não pretende assumir o governo caso haja desincompatibilização, Fátima Bezerra preserva o último lance da política potiguar. Nada se fecha antes de sua decisão final. O tabuleiro só estará completo quando a governadora disser, de forma inequívoca, se será candidata ou se permanecerá no cargo até o fim do mandato. Até lá, todos jogam em função desse movimento — inclusive ela, que atua para construir uma composição mais vantajosa aos seus interesses eleitorais.
Esse cálculo, contudo, carrega um risco que não pode ser subestimado. Se ninguém quer assumir o governo, cria-se um vácuo de comando. A política vive de sinais, e o atraso na definição pode permitir que a opinião pública atribua significado negativo ao impasse: a ideia de um Estado à deriva, administrado por interinidades, negociações de bastidor e expectativas eleitorais, em vez de decisões claras. Em política, a percepção muitas vezes pesa tanto quanto os fatos.
A governadora ainda controla o tempo do jogo, mas o relógio corre. Protelar indefinidamente não é neutralidade; é abrir flanco. A responsabilidade de quem ocupa o principal cargo do Rio Grande do Norte é também proteger a estabilidade institucional e a confiança pública. O último lance pode ser decisivo — para organizar o tabuleiro ou para deixá-lo incompleto aos olhos do eleitor.
PS. A presidente estadual do PT, Samanda Alves, entendeu o cenário e deixou claro, em entrevista ao Agora RN, que as articulações eleitorais não colocarão em risco a estabilidade institucional do governo do RN.
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