12 de janeiro de 2026

Flávio Bolsonaro volta frustrado dos EUA por não conseguir encontro com Marco Rubio

Autor: Daniel Menezes

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou decepcionado de uma viagem aos Estados Unidos por não ter conseguido se reunir com integrantes do alto escalão do governo americano. A principal tentativa era obter um registro ao lado do secretário de Estado do governo Donald Trump, Marco Rubio. As informações são do repórter Gabriel Sabóia, de O Globo.

A tentativa tinha como objetivo sinalizar um alinhamento direto com a Casa Branca e, assim, conter possíveis disputas internas no campo da direita. O encontro também serviria para demonstrar que a família Bolsonaro ainda mantém prestígio junto ao governo americano, apesar da aproximação entre Washington e o presidente Lula.

Flávio viajou acompanhado de Eduardo Bolsonaro, que teria sido apontado responsável pelos contatos iniciais. A articulação foi interrompida no início do mês, após a invasão da Venezuela por tropas americanas e a captura do presidente Nicolás Maduro, o que inviabilizou agendas diplomáticas.

A tentativa de aproximação com Rubio não foi bem recebida por lideranças do Centrão. Para dirigentes de partidos de centro ouvidos pela reportagem, a iniciativa dialoga apenas com a base bolsonarista mais fiel e reforça a associação da família ao radicalismo, simbolizado pela atuação de Eduardo. Parte do Centrão ainda enxergam o apoio à pré-candidatura de Flávio com ressalvas, apesar de considerarem a empreitada “irreversível”.

Flávio pretende retornar aos Estados Unidos até abril, quando planeja realizar uma espécie de “roadshow” pelo país. Até lá, a estratégia é adotar um discurso mais moderado e buscar se consolidar como um nome de centro-direita. O senador cogita convidar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, para acompanhá-lo na viagem.

Oficialmente, a passagem pelos Estados Unidos foi descrita como uma viagem familiar para visitar Eduardo. Flávio passou o Réveillon em um evento organizado pelo pastor André Valadão, em Orlando, e deve retornar ao Brasil nos próximos dias.

Flávio também levou a Eduardo um recado do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo relatos, Bolsonaro orientou os filhos a evitarem confrontos com o Centrão e divergências públicas com lideranças do PL.

A ordem de demonstrar união em torno do nome de Flávio, porém, gerou novos ruídos. Em uma transmissão, o senador elogiou Eduardo como “um craque nas relações internacionais” e afirmou que seria uma honra tê-lo à frente do Itamaraty em um eventual governo. A declaração causou desconforto entre aliados do Centrão, levando Flávio a esclarecer que a intenção era apenas evidenciar alinhamento familiar.

Eduardo Bolsonaro, que participou da posse de Donald Trump no ano passado, vinha articulando pressões para aliviar a pena do pai, antes mesmo do julgamento do ex-presidente por envolvimento na trama golpista. Após sanções comerciais impostas ao Brasil pelo governo americano, Eduardo também acompanhou a reaproximação entre Trump e Lula, que resultou em acordos para redução de tarifas e na retirada de sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

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