11 de janeiro de 2026
Vaticano teria buscado asilo para Maduro na Rússia, diz Washington Post
Autor: Daniel Menezes
CNN - Na véspera de Natal, o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano e principal diplomata da Santa Sé, convocou com urgência o embaixador dos Estados Unidos junto ao Vaticano, Brian Burch, para obter detalhes sobre os planos americanos para a Venezuela, de acordo com documentos governamentais obtidos pelo Washington Post.
Segundo o jornal, Parolin buscava informações diretas sobre a estratégia de Washington em meio ao agravamento da crise no país sul-americano.
Nos dias seguintes, o cardeal tentou repetidamente falar com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, segundo mostram os documentos citados pelo Post, numa tentativa de evitar derramamento de sangue e instabilidade.
Ainda de acordo com o jornal, Parolin afirmou a Burch — aliado do presidente Donald Trump — que a Rússia estaria disposta a conceder asilo a Nicolás Maduro e pediu aos americanos que dessem tempo para pressionar o líder venezuelano a aceitar a proposta.
Porém, esse caminho diplomático não prosperou. Uma semana depois, Maduro e sua esposa foram detidos por forças de operações especiais dos Estados Unidos em uma incursão na Venezuela que resultou na morte de cerca de 75 pessoas. O casal foi levado a Nova York para responder a acusações de tráfico de drogas.
O Washington Post compartilhou que a apuração se baseia em entrevistas com quase 20 pessoas, muitas das quais falaram sob condição de anonimato para discutir negociações e informações de inteligência consideradas sensíveis. De acordo com uma pessoa familiarizada com as tratativas, as tentativas de encontrar uma saída para Maduro continuaram até o último minuto, e ele teria recebido um aviso final poucos dias antes da operação americana, mas se recusou a ceder.
Em sua reunião de 24 de dezembro com Burch, conforme documentos citados pelo Post, Parolin reiterou que a Rússia estaria preparada para receber Maduro.
Com base nos mesmos registros, o cardeal também mencionou o que descreveu como um “rumor” de que a Venezuela teria se tornado uma “peça fundamental” nas negociações entre Rússia e Ucrânia e que Moscou “abriria mão da Venezuela” se estivesse satisfeita com a situação no conflito.
A reportagem indicou que Parolin acreditava que Maduro estaria disposto a deixar o poder após as eleições de julho de 2024, amplamente consideradas fraudulentas.
Para o jornal, o cardeal relatou que o líder venezuelano foi dissuadido por Diosdado Cabello, então ministro do Interior, de que uma renúncia poderia custar-lhe a vida. Parolin teria afirmado que Maduro hesitava em sair sem o apoio de seu círculo mais próximo e demonstrava preocupação em abandonar aliados-chave, como Delcy Rodríguez e o próprio Cabello.
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