9 de janeiro de 2026

Influenciadores supostamente contratados miram BC após caso Master

Autor: Daniel Menezes

Congresso em Foco - Nos últimos dias de 2025, uma série de influenciadores digitais passou a publicar vídeos nas redes sociais questionando a atuação do Banco Central (BC) no processo de liquidação do Banco Master. As publicações, muitas delas divulgadas no mesmo dia e com argumentos semelhantes, citam uma reportagem do Metrópoles segundo a qual o Tribunal de Contas da União (TCU) identificou indícios de possível precipitação na condução do caso pela autoridade monetária.

Nos vídeos, os influenciadores levantam dúvidas sobre a rapidez da liquidação, sugerem a existência de alternativas menos drásticas e questionam as motivações do Banco Central.

Influenciadores teriam sido contratados para publicar vídeos em defesa do Banco Master e questionando a atuação do Banco Central.

Influenciadores teriam sido contratados para publicar vídeos em defesa do Banco Master e questionando a atuação do Banco Central.Arte Congresso em Foco

 

Veja quem são alguns dos influenciadores:

Marcelo Rennó

Com 625 mil seguidores no Instagram, Marcelo Rennó se apresenta como "especialista em Reels" e fala sobre os mais variados temas. Ele afirma ter mais de 25 anos de experiência em rádio, TV e comunicação digital e é dono de uma agência de marketing que atua com influenciadores.

Em vídeo, Rennó questiona a "pressa" do Banco Central em liquidar o Banco Master e afirma que existiam alternativas menos danosas, como a venda da instituição, uma intervenção ou um processo de recuperação. Segundo ele, a decisão teria como objetivo evitar "investigações mais profundas", como a abertura de uma CPI, e proteger "gente grande".

 

"A narrativa do Banco Central de fraude também não cola. Nem intervenção teve. O Banco Central já assumiu o banco, tirou todo mundo da diretoria e saiu liquidando, vendendo tudo."

Em outra publicação, Rennó afirmou que já havia feito outros vídeos sobre os desdobramentos do caso, inclusive com críticas ao Banco Master. "Se eu tivesse recebendo dinheiro, não teria feito esses outros cinco vídeos detonando o banco".

Firmino Cortada

Com mais de 2 milhões de seguidores, Firmino Cortada, que comenta temas diversos em seus perfis, publicou em 19 de dezembro um vídeo explicando o papel do Tribunal de Contas da União e o significado da atuação da corte no caso do Banco Master. Ele destacou que o TCU questionou se o Banco Central não teria agido "rápido demais" no processo de liquidação.

Cortada defendeu a autonomia do Banco Central, mas ponderou que a autoridade monetária precisa cumprir etapas formais. "O Banco Central tem que ter independência para agir, não pode trabalhar com medo do TCU. Isso significa que pode fazer qualquer coisa? Não. Mas, se agiu corretamente, não tem o que temer", disse.

Depois da repercusão, o influenciador publicou um novo vídeo negando ter recebido pagamento para produzir o conteúdo e afirmou que já havia tratado do tema em outras ocasiões. "Fico muito triste que meu nome esteja sendo vinculado a isso. Todas as denúncias estou encaminhando ao meu jurídico", declarou.

André Dias

Autointitulado "mestre da riqueza", André Dias tem 118 mil seguidores no Instagram e produz conteúdo voltado à economia. Em seu vídeo, classificou a liquidação como uma medida "drástica", capaz de gerar "pânico no mercado" e impactos no sistema financeiro e no Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Ele também mencionou suspeitas envolvendo a negativa do Banco Central à fusão entre o Banco Master e o BRB, levantando dúvidas sobre as reais motivações da liquidação. "A quem, de fato, interessaria a liquidação do Banco Master?", questionou.

Procurado, o influenciador não respondeu aos questionamentos do Congresso em Foco.

Paulo Cardoso

Com 4,3 milhões de seguidores, o hipnoterapeuta e neuropsicanalista Paulo Cardoso questionou se a liquidação do banco poderia beneficiar outra instituição financeira, já que ativos, clientes e operações seriam vendidos.

 

"Quando um órgão como o TCU entra no caso é porque tem coisa errada. A palavra usada foi 'precipitação. Se existiam outras saídas, por que escolher logo a mais extrema?"

Em outro vídeo, Cardoso negou ter sido contratado pelo Banco Master, após reportagem indicar que ele estaria entre influenciadores pagos. Segundo ele, seu conteúdo se limitou a questionar fatos noticiados pela imprensa.

Carol Dias

Com 7,4 milhões de seguidores, a apresentadora do podcast Irmãos Dias, Carol Dias, produz conteúdo principalmente sobre economia e política, mas também aborda outros temas, como a recente polêmica envolvendo a Havaianas. Em seu vídeo, classificou a liquidação como uma medida drástica, com impacto não apenas no sistema financeiro, mas também sobre empregos.

Ela lembrou que o Banco Central já era alvo de questionamentos do TCU por ter barrado a compra do Banco Master pelo BRB e levantou dúvidas sobre quem se beneficiaria da liquidação.

Após ser apontada com uma dos influencers pagas para comentar o assunto, Carol afirmou que as acusações são inverídicas e disse que tratou do tema em outras ocasiões, sempre com base em informações da imprensa.

Propostas milionárias e suspeita de campanha articulada

No início desta semana, o vereador de Erechim (RS) Rony Gabriel (PL) e a influenciadora Juliana Moreira Leite afirmaram ter sido procurados, no fim do ano passado, para produzir conteúdos similares. Ambos disseram ter recusado as ofertas.

Segundo Juliana, conhecida como Julie Milk, ela e o vereador foram procurados por um intermediário que orientava o uso da reportagem do Metrópoles sobre o posicionamento do TCU como base para os conteúdos.

De acordo com o jornal O Globo, os contratos oferecidos a influenciadores alinhados à direita, em uma iniciativa chamada internamente de "projeto DV", em referência a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, poderiam chegar a R$ 2 milhões.

Os acordos previam cláusulas de confidencialidade absoluta para preservar a aparência de um movimento espontâneo contra o órgão regulador. Em caso de quebra do sigilo, as multas poderiam alcançar R$ 800 mil.

O Congresso em Foco procurou o Banco Master e Banco Central para pedir um posicionamento sobre o tema, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria.

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