7 de janeiro de 2026
Rogério Marinho, a crítica à aproximação entre membros do STF e políticos e a recepção de ministros do tribunal em sua casa de praia que relativiza o discurso
Autor: Daniel Menezes
Rogério Marinho construiu parte central de sua atuação política recente como crítico contumaz do Supremo Tribunal Federal, cobrando, quase diariamente, uma rígida separação entre os Poderes e acusando a Corte de excessos e interferências. À luz dessa régua moral, causa no mínimo estranheza a informação divulgada pela jornalista Thaisa Galvão de que o senador recebeu, para passar o fim de semana em sua casa de praia em Búzios, os ministros André Mendonça e Nunes Marques, este último futuro presidente do Tribunal Superior Eleitoral. Não há crime, ilegalidade ou qualquer infração institucional no gesto, e isso precisa ser dito de forma clara.
A questão, portanto, não é jurídica, mas política e moral — exatamente o terreno em que Rogério Marinho escolheu atuar ao transformar o Supremo Tribunal Federal em alvo recorrente de suas críticas nas redes sociais. Se a régua que ele próprio impôs ao debate público fosse aplicada ao seu comportamento, como seria avaliada a convivência informal, privada e amistosa com ministros da Corte que ele acusa de extrapolar limites institucionais? O episódio expõe uma contradição clássica: o discurso duro vale para mobilizar a base, mas a prática revela que, longe das câmeras, a separação entre os Poderes é relativizada quando convém. É nesse ponto que a crítica deixa de ser retórica e passa a cobrar coerência.
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